domingo, 3 de fevereiro de 2008

Prioridades...

Na passada terça-feira, 29 de Janeiro desloquei-me ao tribunal de Sintra a fim de participar na sessão de encerramento daquele que é até ao momento o maior processo alguma vez julgado em Portugal.
Nunca o ministério público conseguira submeter a julgamento um número tal elevado de arguidos, mais de 200a que se somam mais de 5 dezenas de pessoas colectivas, faltando naturalmente uma justificação cabal para tal decisão de juntar diversos inquéritos num gigantesco processo que um sr. Juíz Conselheiro considerou "infasível" em diálogo que terá mantido com a sra. Juíza de Instrução Criminal.
Nesta última sessão pretendeu o Colectivo do Tribunal da Moita(note-se que o julgamento decorreu sempre no Tribunal de Sintra por ser este o único que possuí uma sala capaz de permitir a presença simultânea de tanta gente) ouvir os arguidos, quer quanto à última declaração em sua defesa, quer quanto às suas condições sócio-económicas, assim se gastando um dia completo do trabalho.
A leitura do Acordão ficou agendada para o próximo dia 9 de Abril, ultrapassando assim o julgamento dois anos de duração.
Há muito tempo que a Comunicação Social perdeu o interesse em seguir o caso, havendo aqui e ali uma ou outra notícia consoante as incidencias das sessões, indicando-se a título de exemplo a seguinte:(http://jn.sapo.pt/2007/10/22/primeiro_plano/erros_contas_processo_alcool.html ).
Curiosamente, neste último dia a atenção dos muitos jornalistas presentes à porta do Tribunal não estava virada para o megaprocesso do alcoól, mas sim para o caso do duplo homicídio de Rio de Mouro cujo suspeito estaria a ser ouvido por um Juíz em primeiro interrogatório judicial para aplicação de medida de coacção.
Enquanto os participantes do megaprocesso iam saindo do tribunal sem serem abordados por qualquer jornalista, os ruidosos africanos que entravam e saiam do edifício numa roda viva eram sistematicamente interpelados pelos profissionais da comunicação social para dizerem de sua justiça.
Claro está que jornalisticamente, a prioridade está no clima de ghetto precedido na linha de Sintra, na violencia que afecta as populações da mesma e na lei do silêncio que se tenta impor para que não se fale no problema racial que ali existe e sistematicamente é ignorado.
Todavia o país devia ficar a saber quantos milhões de euros dos contribuintes foram gastos com um processo cujo desfecho será um chorrilho de absolvições depois de mais de 170 dias de julgamento ao longo de mais de 21 meses!

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