O lenço vermelho colocado sobre o quebra-luz conferia ao quarto um certo ar feérico de que ambos gostávamos. Aquela luz era ao mesmo tempo quente e convidativa, despertando-nos os sentidos para tudo aquilo que nos juntara naquela quarto .No caso, era o teu quarto, como podia ser o meu, onde também havia instalado uma luz vermelha.
As nossas vidas tinham outro ritmo, outra medida-padrão e, por isso, os dias pareciam não ter fim.Aprendíamos de forma despreocupada a ser adultos, conjugando todos os verbos no tempo presente, ignorando por completo os restantes tempos e modos.
Cada gente, cada toque, cada sensação era uma novidade que trazia em si o sabor doce da primeira vez. E assim, contigo lá fui de rapaz até homem, muitas vezes sem conseguir perceber porque deixara para trás algumas luzes vermelhas e buscara incessantemente outras luzes que iluminaram o meu caminho até hoje. Até ao presente, que é a ponte entre o passado e o futuro onde sempre nos encontramos.
Por mim podes colocar o lenço vermelho no quebra-luz, porque continuo a achar que tudo assim fica diferente, incluindo nós mesmos.