segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Não apagues a luz

O lenço vermelho colocado sobre o quebra-luz conferia ao quarto um certo ar feérico de que ambos gostávamos. Aquela luz era ao mesmo tempo quente e convidativa, despertando-nos os sentidos para tudo aquilo que nos juntara naquela quarto .No caso, era o teu quarto, como podia ser o meu, onde também havia instalado uma luz vermelha.

As nossas vidas tinham outro ritmo, outra medida-padrão e, por isso, os dias pareciam não ter fim.Aprendíamos de forma despreocupada a ser adultos, conjugando todos os verbos no tempo presente, ignorando por completo os restantes tempos e modos.
Cada gente, cada toque, cada sensação era uma novidade que trazia em si o sabor doce da primeira vez. E assim, contigo lá fui de rapaz até homem, muitas vezes sem conseguir perceber porque deixara para trás algumas luzes vermelhas e buscara incessantemente outras luzes que iluminaram o meu caminho até hoje. Até ao presente, que é a ponte entre o passado e o futuro onde sempre nos encontramos.

Por mim podes colocar o lenço vermelho no quebra-luz, porque continuo a achar que tudo assim fica diferente, incluindo nós mesmos.

Finalmente The Doors!

Já lá vão mais de 40 anos sobre o lançamento do álbum Strange Days de onde escolhi a faixa Love me Two Times.
O tempo passou, mas a genialidade da obra de Jim Morrison e companheiros entrou definitivamente no plano da música clássica, daquilo que melhor alguma vez se compôs e se executou.
Não me importo de vos confessar um segredo: Jim Morrison foi o meu grande ícone/ídolo que procurava imitar desde as roupas, ao cabelo, à pose e à atitude perante os outros (sobretudo as outras…). Cultivei durante algum tempo aquela imagem do rapaz vestido de negro, de cabelo até bem mais comprido do que o próprio Morrison, de óculos escuros que parecia não ligar ao que o rodeava, enfim também fui adolescente e hoje voltaria de bom grado a repetir tudo o que então vivi.
A canção é como quase todas dos The Doors uma provocação, uma abordagem directa que chocava a moral conservadora dos finais dos anos 60.
No fundo qualquer homem deseja que a sua mulher o ame duas vezes e é esta coisa tão natural que Jim Morrison resolveu cantar como só ele sabia fazer.
Que os deuses da musica estejam convosco agora e sempre!