quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Então, é Natal !
domingo, 14 de dezembro de 2008
Melhor do que o Original
É uma balada com tonalidades de Gospel que consegue transformar a nostalgia em beleza. Mais uma vez demonstro o meu ecletismo musical, fazendo jus à máxima com que classifico os géneros musicais: para mim a música divide-se em boa e má. Nada mais.
No caso Jeff Buckley há que reconhecer validade ao nosso ditado "filho de peixe sabe nadar", porque o seu pai (já falecido) é/foi Tim Buckley.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Se ao menos eu pudesse parar o tempo...
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Para ouvidos atentos
A banda tem o nome esquesito de Vander Graaf Generator e ainda editaram um álbum em Março deste ano.
Os Van Der Graaf Generator são um dos melhores exemplos do rock progressivo britânico, sendo capazes de criar ambientes sonoros de extremo bom gosto que nos transportam para planos de consciência próprios da meditação.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
A outra cidade
Talvez por ter nascido e sempre vivido no centro de Lisboa, na zona mais antiga da capital dou por mim muitas vezes a imaginar cenas e personagens do passado quando passo por certos lugares.
Habituei-me há muitos anos a ser assim uma espécie de arqueólogo de espectros que, mais do que as pedras, preocupa em apanhar os que viveram naqueles lugares e lhes conferiram significado.
Fazer o caminho do Liceu para casa era desde logo optar entre uma viagem à nossa primeira universidade ali nas escolas gerais ou pelo trajecto que baptizei do caminho das três prisões, porque passava pelas monicas, pelo limoeiro e pelo aljube.
A escolha dependia do meu estado de espírito, se alegre preferia as escolas gerais onde imaginava a eterna rebeldia dos estudantes, mas se triste lá seguia pela amargura da prisão de mulheres, pela prisão de criminosos comuns e, por fim, a prisão dos presos políticos.
Ainda hoje ouço aquelas vozes que me chamavam para uma breve e fugaz troca de palavras, ou para um pedido de um cigarro que eu não tinha, ainda hoje vejo aquelas mãos a acenar por detrás daquelas janelas fortemente gradeadas que as privavam de apertar a minha mão livre.
Quem eram? Não sei, nunca soube a sua identidade, sei e sempre soube que sofriam e que não eram felizes, porque as suas vozes e as suas mãos nunca me enganaram a esse respeito.
Depois imaginava que me cruzava com o mais célebre franciscano, depois do próprio Francisco de Assis, o nosso Sto. António nascido Fernando de Bolhões ali bem junto à Sé.
Mais abaixo via passar o Sr. Pessoa a caminho do Martinho, ainda a limpar o bigodinho depois de ter emborcado mais um cálice de água ardente no Vale do Rio.
Por pouco não se cruzou com o jovem Cesário Verde ali na esquina da Rua dos Fanqueiros com a Rua do Comércio onde a família Verde tinha o seu negócio e onde o autor de Sentimento de um Ocidental, passou uma boa parte da sua curta vida.
Os anos que entretanto passaram tiveram o condão de aumentar significativamente o número de espectros que vivem alegres na minha cidade.
Tive a felicidade de conhecer muitos deles ou simplesmente de os ver nos lugares que frequentavam num tempo em que Lisboa tinha tertúlias e se gabava disso.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Poema
As palavras que bradas são mal ditas
Porque se quebram elas e porque as gritas?
Fazes de arrumador de ideias inteiras
Tal como as palavras o são
Quando se arruma a dor no meio da confusão
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Tão despachada que ela é
domingo, 16 de novembro de 2008
Os ciclos da contestação
tirania das gerações mais velhas. Vivia-se num marasmo onde nada acontecia que quebrasse a monotonia dos dias que se sucediam tristonhos, desinteressantes e estúpidos.
Ninguém parecia interessar-se por política, porque isso era uma enorme chatice e de repente, eis que ouve um súbito despertar das consciências dos jovens que decidiram gritar “BASTA!”.
Mais de 34 anos leva o novo regime político saído do golpe militar de 25/04/1974 e os problemas da juventude não só continuam por resolver, como também se vão agravando ano após ano, sem que se veja qualquer solução para eles.
De experiência em experiência, o ensino em Portugal não tem feito outra coisa que não seja criar técnicos de ideias gerais que passam pelo menos 12 anos na escola para saírem sem qualquer profissão!
Destruíram-se as escolas e os institutos comerciais, as escolas e os institutos industriais, como também se destruíram os liceus, tudo em nome daquilo que uns certos senhores muito ententidos em educação chamaram de escola democrática.
Em vez de se introduzirem os mecanismos próprios da democracia no funcionamento das escolas, optou-se pela eliminação pura e simples de tudo aquilo que funcionava bem em termos de formação dos jovens para as várias carreiras profissionais que desejassem seguir.
Fez-se o já habitual nivelamento por baixo, arrasando por completo o aparecimento de elites indispensáveis ao desenvolvimento do país. É com alegria que assistimos ao regresso dos estudantes à luta contra decisões esquizofrénicas que sempre procuram tramá-los, fazendo uso das manifestações de rua agora convocadas por sms, nas quais os partidos políticos não são tidos nem achados.
Mais do que nunca, hoje mais do que ontem estão reunidas as condições para que as ideias libertárias se espalhem crescentemente pelas consciências férteis dos nossos jovens.
Há uma ânsia de gritar liberdade, de mudar um estado de coisas apodrecido, de destruir quem pretende destruir a rebeldia e criatividade da juventude, exijam, reivindiquem, lutem, porque se não o fizerem aqueles que estão há 34 anos a comer da gamela do Poder, continuaram a cagar-lhes em cima e a pedir-vos que se calem, que sejam pacientes, que sejam bonzinhos, em suma, que não chateiem.
Envoquemos aqui e agora a voz de Natália Correia, porque as suas palavras continuam a fazer sentido e a mostrar-nos qual o caminho a seguir:
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Boas Recordações
O sucesso já tinha sido alcançado antes com um estrondoso hit chamado a white shade of pale há precisamente 41 anos, meu deus como o tempo passa!
Voltando ao álbum Grand Hotel, ele tinha/tem a particularidade de ser dançável, o que constituía uma vantagem a seu favor em termos da malta gostar de o ter para o tocar nas festas de garagem.
Hoje, quero ser original e deixar-vos não uma, mas duas músicas com a sua historia peculiar.
A primeira é Souvenir of London e conta-nos as aventuras de um rapaz que viaja até Londres e de onde regressa com uma doença venérea como recordação, o que é um tema bem atrevido para 1973.
A segunda é a música que dá o seu nome ao álbum, ou seja, Grand Hotel e não sou o único a ter boas recordações quando a ouço. Então que a música esteja convosco!
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
De 28/08/1963 a 4/11/2008 ou o caminho do sonho até à realidade?
Naquele dia de Agosto de 1963 em plena América Segregacionista uma voz ousou desafiar o Establishment e clamou que tinha um sonho. Pouco depois, no ano seguinte, outorgavam-lhe o Prémio Nobel da Paz.
Martin Luther King viveu apenas cerca de 4 anos e 8 meses após esse sermão, tempo este em que contribuiu decisivamente para que a face da América mudasse, acabando por ser assassinado precisamente no mesmo ano em que um segundo Kennedy, no caso Robert, também encontrou a morte quando tudo indicava que seria o próximo presidente americano.
Mataram o homem, mas não mataram o sonho, que entretanto foi sendo pouco a pouco assumido por um número crescente de Norte Americanos de todas as raças e credos e não apenas os negros a quem Martin Luther King se dirigia naquele dia de Verão de 1963.
40 anos passados sobre o desaparecimento do Dr. King eis que a América lhe dá finalmente razão e aceita com euforia que o ocupante da célebre sala oval da Casa Branca seja um negro.
Barack Obama tem em comum com Martin Luther King a eloquência e o carisma dos grandes líderes da Humanidade.
Como homenagem singela à memória do visionário que um dia sonhou a América que hoje existe deixo-vos os famosos 2 minutos e 50 com que Martin Luther King concluiu o seu empolgante sermão:
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
A insustentável leveza das testemunhas
A pontuação da Vida
Virgulas que separam os vários sujeitos e não querem ser mais do que isso. Apenas um pequeno sinal na paisagem quotidiana.
Depois, um pouco mais adiante somos não apenas virgulas, mas pontos e virgulas, porque já somos destacados por entre os transeuntes que se atropelam nos caminhos da vida. Temos, pois, a força necessária para sermos distinguidos no meio dos rostos que seguem connosco.
De repente, damos conta que é preciso furar a corrente, cortar as amarras que nos obrigam a estar dentro da mesma frase e a sofrer a preputencia da oração dominante.
Então, somos o ponto final, espécie de lâmina que nos liberta e nos leva à conquista da desejada liberdade, porque a seguir se abre um caminho só nosso onde podemos escrever aquilo que quisermos.
Porém, a liberdade coloca-nos dúvidas, interroga-nos a cada passo e, por isso, somos forçados a ser pontos de interrogação, inquiridores da realidade que procuramos mudar em nome de um sonho.
Continuamos a nossa estrada absorvidos nos nossos pensamentos, fazendo jus à nossa condição de seres racionais. Caminhando e pensando até que alguém reconhece o nosso mérito e resolve colocar um ponto de exclamação à nossa frente como sinal de surpresa, de espanto, por tudo quanto pensámos.
Esforçámo-nos por nunca ser as reticências que são próprias dos fracos e dos hesitantes, razão pela qual nunca tropeçámos nelas.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
E desta lembram-se?
domingo, 12 de outubro de 2008
A crise do sistema ou a falência do regime?
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
À memória de Paul Leonard Newman (26-01-1925/26-09-2008)
sábado, 4 de outubro de 2008
O Portugal dos Pequeninos
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
O Som do Silêncio
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
À memória de Richard Wright (28/07/1943 - 15/09/2008)
Esta noite vou procurar a lua e nela fixarei o olhar ate q a tristeza desta noticia se tranforme num sorriso de alegria igual a muitos q vivi ao som da sua musica.
Morreu, rick wright, o homem que sempre tocou keyboards nos pf, grupo de q foi fundador Nunca mais ouviremos os seus dedos virtuosos criarem aqelas atmosferas inconfundíveis que caracterizaram o som PF . se e vdd q o grupo conseguiu sobreviver a loucura de Syd Barret e ao mau feiito de roger waters isso ficou a dervese a personalidd impar de wright q pretendia a unidd da banda e a sua continuidade na cena musical em lugar de uma carreira a solo.
Esta noite vou procurar a lua pq no seu lado escuro e possivel ouvir um piano, um orgao, mil sintetizadores .
How i wish you were here!
domingo, 14 de setembro de 2008
Ouçam esta!
As comparações com Bob Dylan, foram sempre inevitáveis, mas creio que daí nada pode resultar de útil, sendo uma discussão estéril e desprovida de sentido: era o que faltava que qualquer autor e intérprete que pretendesse/pretenda inspirar-se nos temas sociais, políticos e mesmo pessoais tivesse/tenha de pedir licensa a quem já está nessa senda – há lugar para todos! Springsteen possui uma voz poderosa que ele arranca dos confins da alma para nos brindar com canções onde nos conta histórias de vida que tem a genialidade de também retratarem um pouco a nossa própria existência.
Born to run é a musica que vos proponho, que também deu titulo ao álbum produzido pelo magico Phil Spector e façam favor de reparar na força com que o homem interpreta o tema – arrepiante.
Desculpem ter acertado em cheio!
Aliás, tal como o tinha feito aqui perante vós (em (http://diasdeumadvogado.blogspot.com/2008/02/perioridades.html) repeti o palpite e as sugestões finais aos 3 canais de TV que me entrevistaram logo pelas 9h da passada segunda-feira para que a opinião de um advogado envolvido no caso fosse para o ar nos jornais da manhã.
Curioso foi ver a retirada dos jornalistas pela hora do almoço de terça-feira, quando já era mais do que evidente a queda das acusações mais graves como a associação criminosa e o homicídio qualificado .
Lamentável é o facto de nem um só elemento da comunicação social se encontrar na sala no momento em que foi lida a parte do acórdão, porque todos ansiávamos.
Significativo foi o facto de na terça-feira apenas ter sido abordado pela jornalista da TVI para a entrevista em directo no jornal das 9h, insistindo ela na tecla das penas pesadas e, ouvindo de mim o mesmo discurso confiante .
Como seria interessante se os jornalistas investigassem com seriedade todos os contornos deste caso, designadamente aquele que mais interessa aos contribuintes e que o custo elevadíssimo deste circo judiciário montado no novo Tribunal de Sintra pelo único motivo de ser ali que existe uma sala tipo “Pavilhão Atlântico” onde vimos o que se passa na sala nos ecrãs espalhados pelas colunas, quando o julgamento deveria ter corrido na Comarca da Moita.
Claro está que o Ministério público pretendeu dar um castigo exemplar aos que fazem da fuga aos impostos um modo de vida e acabou por sair de fininho mais tosquiado que uma ovelha! Entretanto, a opinião publica foi sendo envenada ao longo dos tempos pelas notícias que falavam em milhões e milhões de euros de impostos que o estado deixara de cobrar/receber num trabalho excelente de contra-informação.
A título de exemplo, no caso dos meus clientes a empresa/entreposto apenas foi notificada de uma liquidação oficiosa (chamada na gíria L.O) , tendo eu impugnado a mesma e obtido sentenças favoráveis no TAF de Almada e no TCA Sul as quais deram razão ao contribuinte e anularam a dita liquidação oficiosa de IABA!
Pela arte que me toca respirei fundo, recebi os cumprimentos da praxe, disse as habituais palavras circunstância e só estou há espera do CD com o acórdão para arrumar no armário do arquivo morto os vários dossiers deste caso.
Termino como começei as minhas alegações: os meus clientes não deviam ter sido acusados, muito menos pronunciados e submetidos a julgamento, por isso, a sua absolvição não foi mais do que o reconhecimento de que essas decisões estavam erradas!
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
As explicações de um fracasso
sábado, 23 de agosto de 2008
...e justiça para todos!
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Ainda se lembram?
Limito-me apenas a fazer duas revelações muito pessoais: a primeira é que guardo este LP até hoje, como se fosse um tesouro e a segunda é que era esta a banda sonora preferida dos meus namoros.
Fiquem com Us and Them, que ficam muito bem e façam favor de voltar a sonhar, ok?
domingo, 17 de agosto de 2008
Onde pára a polícia?
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Epílogo
Ao contrário das sessões anteriores, desta vez o tribunal entendeu que a audiência era pública e, por isso, lá estava a sala bem composta por familiares, vizinhos e pela assistente que havia sido esfaqueada por LS.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Ignorância (Im)perdoável II
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Welcome Back my friends
Podia ter escolhido outra música, mas optei por esta, porque era com ela que invariavelmente eu gostava de abrir as tais festas de garagem.
Era assim como que um aperitivo para o resto do alinhamento...
Ouçam bem o rapaz das teclas, um tal Kith Emerson e depois digam lá se isto não é música clássica!
Welcome Back My Friends - Emerson Lake and Palmer
Agora compreendo
Pensava eu que aqueles três génios da humanidade tinham num certo momento das suas vidas perdido por completo o controle de si mesmos, ou seja, tinham sido vencidos pela loucura.
Verifico agora que estava equivocado, quando se é esmagado pelo Destino, quando se grita “parem, por favor” e todos os ouvidos estão subitamente surdos, não há espaço nem tempo para que a vida prossiga com um mínimo de dignidade.
Encontraram-se com o desespero e não tiveram mais nada além de si próprios para travar o combate das suas vidas.
Não foi suficiente o seu génio, a sua reputação e a consideração que o publico lhes votava porque ao fim ao cabo foram consumidos pela solidão.
Agora que compreendo o que fizeram não me atrevo sequer a julgá-los moralmente porque eles sabiam muito bem o que faziam e loucos são aqueles que não respeitam o próximo!
É possível que Antero, Camilo e Hemingway tivessem concluído serem uma ilha isolada num mar revolto de contrariedades.
Perante tal conclusão e a inevitabilidade do isolamento acharam por bem ficar na sua ilha para sempre.
Agora compreendo e não lhes levo a mal.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Ignorância imperdoável - [ACTUALIZADO]
Quando tudo parecia apontar para a leitura do acórdão eis que o colectivo de juízes entendeu ordenar a produção de prova complementar, mais propriamente a realização de nova perícia médico-legal a fim de esclarecer os Srs. Juízes se LS poderia ou não ter tido consciência da ilicitude dos seus actos no momento em que os praticou , solicitando agora ao perito forense que responda a partir dos relatórios feitos próximos dos factos e da avaliação actual do seu estado de saúde mental.
Recebi o despacho pelo correio e reagi ao mesmo, chamando a atenção para uma série assinalável de equívocos que o mesmo continha, concluindo pela formulação de quesitos que deveriam ser também respondidos pelo perito forense.
A minha reacção foi sobretudo devida ao facto do despacho revelar uma ignorância dos Srs. Juízes sobre o que é a inimputabilidade, a doença mental e como interpretar um relatório médico-legal.
Para meu espanto pretendem agora recuar no tempo até Abril de 2007, para que o psiquiatra diga se era possivel LS aperceber-se da ilicitude do que estava a fazer, fazendo apelo a um esquema esquisito de prognose póstuma quando, os peritos que inicialmente avaliaram LS concluíram ser ele inimputável!
Ccomo era previsível o juiz presidente indeferiu o meu requerimento, não aceitando que a defesa apresentasse requisitos para a prova complementar e só me restou recorrer deste despacho inibidor dos direitos do arguido.
Não percebem que o que está em causa é o momento preciso da acção, aquele no qual a pulsão para agredir outrem não podia ser contrariada/controlada porque lá estava a doença mental a destruir o sistema de travagem que normalmente actua nessas situações.
É perturbador ver juízes sem uma preparação adequada nesta área porque isso está bem evidenciado até na circunstância de não terem formulado quesitos com pés e cabeça mas apenas uma solicitação algo confusa em cinco perguntas reveladoras de um discurso pouco técnico.
Mais, é perturbador ver q LS está a evidenciar melhoras por força do internamento no hospital psiquiátrico e do tratamento adequado que lhe é ministrado e que isso possa ser confundido com o que era o seu quadro de saúde mental em Abril de 2007.
Entretanto, só no próximo dia 16 de Julho é que se irá realizar a nova perícia porque o perito tem estado de ferias e já houve a necessidade de realizar duas breves sessões de julgamento para impedir a caducidade da prova: um julgamento não pode estar interrompido/suspenso por mais que 30 dias, sob pena de ter de se repetir toda a prova!
Esta regra processual ficou de pé, apesar de existir hoje a gravação dos depoimentos em todas as salas de audiências e, por isso, não dá para perceber esta exigência formal...
Para que possam apreciar melhor este problema irei deixar em post quer o despacho, quer o meu requerimento e depois julguem um e outro como se fossem jurados.
Mal chegue ao escritório tratarei disso, ok?
*
O prometido é devido e aqui estou eu para vos mostrar os 2 documentos a que fiz referencia:

Tribunal da Comarca de "x"
xº Juízo
Processo nº x
Exmo Senhor Juiz de Direito
LS, arguido nos presentes autos, notificado do Despacho do Mmº. Juiz de Circulo exarado na acta da sessão de 21 de Maio de 2008, maxime quanto ao seu ponto III vem exercer os seus direitos de arguido nos termos e com os fundamentos seguintes:
1º
Tal como se mostra ordenada a produção suplementar de prova pericial ou seja tendo sido formuladas por escrito as questões, que o tribunal pretende ver esclarecidas/clarificadas e a que o perito do IMLL responderá igualmente por escrito não tem o arguido outro meio de intervir que não seja o de apresentar também por escrito os seus quesitos.
2º
Com a devida vénia e salvo melhor opinião, a ausência física do perito determina uma atenção redobrada na formulação das questões a esclarecer ou dos quesitos a responder, sendo certo que o contraditório fica minimizado a uma dimensão insignificante e é para se evitar um eventual “esclarecimento não esclarecedor” que ao defesa entende requerer que o Sr. Perito responda também às questões constantes do questionário anexo.
Junta: o mencionado
A D
O advogado,
Questionário
1 - O Relatório de perícia psiquiátrica médico-legal de fls. 238 e ss, ou o seu aditamento de fls. 290 e o Relatório de perícia psicológica de fls. 315 e ss mostram-se elaborados de acordo com as lesgis artis, cumprindo todos os protocolos da respectiva elaboração?
2 - É clinicamente possível avaliar agora, volvido um ano sobre as perícias em causa e encontrando-se Luís Silva internado em unidade hospitalar psiquiátrica onde recebe tratamento adequado se as conclusões obtidas nos relatórios indicados no quesito anterior são incorrectas?
3 - Pode agora o Sr. Perito, nas circunstâncias actuais que o arguido apresenta pronunciar-se validamente recorrendo a uma avaliação médico-legal com recurso a prognose póstuma sobre o estado em que aquele se encontrava em 18 de Abril de 2007?
4 – Relembrando que os factos ocorreram em 18 de Abril de 2007 e que o arguido foi avaliado logo após a prática dos mesmos com as conclusões médico-legais constantes dos Relatórios indicados no quesito 1 tem agora o Sr. Perito condições técnicas, cientificas e/ou clínicas para concluir diversamente sobre a condição da inimputabilidade/imputabilidade do mesmo naquela data?
Lisboa 21 de Maio de 2008.
O Advogado,
segunda-feira, 7 de julho de 2008
A propósito da reunião do conselho de Justiça da FPF II
domingo, 6 de julho de 2008
A propósito da reunião do conselho de justiça da FPF
Os ilustres conselheiros estão la porque a sua côr/fidelidade clubística tem interesse nisso! São parciais por definição e isso ficou bem evidente com o comportamento do inefável Sr. Pereira, que tudo fez para que estes recursos bicudos só fossem decididos no dia de São Nunca à tarde!!!!!
A criatura começou por convidar o Futebol Clube do Porto para se pronunciar sobre o recurso do Sr. Pinto da Costa, concedendo um prazo processual a quem ja havia declarado a sua renúncia a recorrer. Com este esquemazinho a UEFA entendeu aquilo que todos sabem, ou seja,
Para a criatura, o instituto da denegação de justiça será uma invenção dos mouros, também terá idêntica opinião sobre a negligência no exemplo da acção disciplinar.
Naquela reunião encerrada às 17:55 de 4/7/08 o Sr. Pereira foi acompanhado do seu fiel Vice-Presidente e do outro lado da barricada ficaram os cinco conselheiros que vão tendo alguma dignidade e também algum pudor.
Clamam os fundamentalistas que são todos mouros e benfiquistas ferrenhos apostados em tramar o FCP e o seu excelso timoneiro, mas a eles respondo como a minha avó - "vozes de burro não chegam ao Céu!"
sábado, 5 de julho de 2008
Até quando?
domingo, 29 de junho de 2008
Aquela varanda
sábado, 21 de junho de 2008
Assim devia ser sempre
quarta-feira, 18 de junho de 2008
e desta lembram-se?...
Permitam que vos chame a atenção para a voz do senhor Ian Gillan, ao tempo vocalista dos Deep Purple, que anos mais tarde seria substituido por David Coverdale, que posteriormente fundaria os whitesnake. Os agudos que ele alcança nesta gravação de estudio eram repetidos ao vivo, o que mostra de facto a qualidade do sujeito.
Fiquem então com Child in Time dos eternos Deep Purple e digam de vossa justiça!
sexta-feira, 13 de junho de 2008
O homem que não era um, era tantos
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Alberto Caeiro
sexta-feira, 6 de junho de 2008
O sabor amargo da vitória
sábado, 24 de maio de 2008
A Solução do problema
Dito de outro modo, continua a deixar os problemas sem solução...
O engenheiro Sócrates insiste na mesma estafada retórica de que está a resolver o problema do défice que o governo do PSD lhe deixou e o país fica reduzido ao Deve e Haver do OGE: até quando?
até quando nos impingem esta conversa mole de que a nossa felicidade passa por pagarmos cada vez mais impostos para equilibrar as contas de um Estado esbanjador e desgovernado?
As alternativas que se perfilam para a liderança do PSD não permitem que desapareça de vez este sentimento de amargura que nos preenche.
Que venha alguém capaz de nos devolver o sonho. Que venha um político que se preocupe em servir o povo segundo os padrões dos nossos parceiros da UE.
Que venha alguém com as mãos limpas e com vontade de trocar o discurso que já dura há tantos anos da inavitabilidade da crise.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Quem não se lembra?...
domingo, 11 de maio de 2008
Um resultado surpreendente
Estavam em causa mais de 40 assaltos nos quais os intervenientes tinham actuado encapuzados. A investigação assentara quase exclusivamente nas declarações dos arguidos prestadas em sede de inquérito, logo declarações não podem ser lidas na audiência de julgamento, salvo se o arguido que as prestou der o seu consentimento para tal.
As vítimas e as testemunhas presenciais dos factos não tinham reconhecido os arguidos, à excepção de uma situação em que houve actuação com cara descoberta.
A menos que aceitassem falar e, portanto transformar o caso no verdadeiro saco de gatos seria extremamente difícil a acusação obter a condenação de quem quer que fosse e por isso tive oportunidade de manifestar esta minha ideia aos colegas que compareceram no debate instrutório: o caso aconselhava ao silêncio colectivo que só deveria ser quebrado após algo correr mal e uma avaliação ser então feita pelo(s) defensor(es).
O pai foi-me informando do desenrolar do julgamento, dando-me conta que as coisas iam correndo de feição à estratégia que apontara e que havia sido aceite por todos.
Esta tarde recebi o último telefonema dele a dizer que o filho já estava em casa, tendo sido condenado a uma pena suspensa que a alegria dele não o deixou fixar a medida.
Informou-me ainda que o filho irá visitar-me na próxima semana para me agradecer.
Agora só espero é que o jovem aproveite bem a oportunidade que teve, porque um bamburrio destes ocorre uma vez na vida e não se deve abusar da sorte.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Crónica de uma Viagem
Encontrei uma comunidade perfeitamente integrada, mas demonstrando a cada passo e em cada gesto a sua condição de portugueses. Aprendi que na região de Paris existem agora mais ranchos folclóricos em actividade, do que em Portugal, sendo as associações culturais recreativas e desportivas os verdadeiros centros culturais do nosso país por aquelas paragens. Todas as semanas há festas, concursos e eventos que não passam de um pretexto para reunir um maior número possível de pessoas, fazendo com que a música portuguesa seja a principal atracção.
Muitos jovens mal falam português, mas são os principais entusiastas destas festas e conseguem transformar argenteuil ou monrouge em Lamego ou Vila Real.
Surpresa bem agradável foi a de ter estado na Livraria Lusófona junto à Sordonne e poder apreciar tudo quanto João Heitor faz pela nossa cultura e pela nossa língua. Discretamente, sem grandes ondas a verdade é que este homem consegue manter aceso um facho de lusofonia em pleno coração da que é tida como a mais importante universidade do velho continente.
Tive o privilégio de com João Heitor proferir umas palavras sobre o 25 de Abril.
Em primeiro lugar ele teceu as suas considerações sobre o significado e a importância da data para quem estava há tantos anos fora do país e depois lá me foi dada a palavra para poder dar o meu testemunho de quem esteve na rua nessa quinta-feira de 25 de Abril de 1974 desobedecendo aos apelos dos militares que queriam que a população ficasse em casa. Fiz precisamente a comparação entre a revolução de 1385 e a de 1974, porque em ambas a acção do povo de Lisboa era/foi determinante do resultado final: quando o povo se dirigiu ao Palácio do Limoeiro aos gritos de “Acudam ao Mestre” estavam a carregar o Mestre de Avis com uma força que ele até aí não tinha; quando as ruas de acesso ao largo do Carmo ficaram pejadas de gente que procuravam acarinhar e apoiar os militares por ali espalhados, o antigo regime tinha terminado os seus dias.
A ideia brilhante da vendedeira de flores de distribuir cravos pelos soldados e que estes logo colocaram no cano das suas armas, acaba por introduzir um elemento poético no golpe militar em curso que não pode ser ignorado ou desprezado. No fundo a realidade era aquela de estar ali uma coluna militar muito mal equipada e armada, salvo erro apenas com 6 obuses e muito poucas munições quer para a auto-metralhadora, quer para as armas individuais.
Valeu no caso o maior jogador de Póker que o nosso país já teve ou poderá vir a ter e que foi o capitão Salgueiro Maia. Ele conseguiu enganar as forças sitiadas no Quartel do Carmo com uma rajada curta para a zona alta do edifício e que veio a furar os canos da água do quartel, transformando parte do edifício numa verdadeira catarata inesperada.
Foi a presença da população nas ruas que evitou a passagem de forças ainda leais a Marcello Caetano e nem sequer a PIDE saiu da sua sede na rua António Maria Cardoso nesse dia. Mataria quatro manifestantes no dia seguinte e foi só então que se colocou a questão da sua rendição e extinção. Falei também num pormenor que para mim é decisivo sobre os desenvolvimentos que a revolução irá ter e lembrei à plateia interessada que Marcello Caetano impôs a Salgueiro Maia a condição de lhe trazer um general a quem passasse o poder para que este não caísse na rua.
Ora, como é possível admitir, como podemos compreender que quem esteja a ser deposto tenha capacidade ou margem de manobra para impor uma condição como esta.
É nesta circunstância que se lembram de ir buscar a casa o general Spínola e depois os oficiais que tinham arriscado tudo acabam por arranjar uma coisa chamada “conselho da revolução” com oficiais generais de todos os ramos das forças armadas, completamente diferentes em tudo uns dos outros. Falou a voz da Hierarquia aos corações dos capitães e dos Coronéis que preferiram chamar os velhos chefes militares, mesmo que eles também tivessem velhas ideias.
Falei do país que era definido como o dos três F’s: Fado, Futebol e Fátima, e com um sorriso não pude deixar de perguntar se mudou alguma coisa.
O movimento das forças armadas prometeu-nos três D’s: Descolonização, Democracia e Desenvolvimento, hoje evoluímos para Desinteresse, Desmotivação e Desencanto.
Ninguém se convence que o regime e o sistema constitucionais vigentes estão profundamente doentes e caducos. Nada funciona porque não querem que funcione. Há quantos anos deveríamos estar em círculos uninominais e não estamos. Há quantos anos deveríamos estar num regime presidencialista e não estamos. Veja-se que os nossos políticos mais marcantes e que têm sido reeleitos com votações crescentes na sua reeleição são os presidentes da república.
Vamos no quarto presidente eleito, antes dele tivemos por ordem cronológica: Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio. Todos eles cumprindo dois mandatos. Por sua vez, os nossos vizinhos espanhóis tiveram nesse mesmo espaço de tempo quatro Chefes do Governo, a saber, Adolfo Soares, Felipe Gonzales, José Maria Aznar e José Luís Zapatero, mantendo como Chefe de Estado o rei Juan Carlos. Alguma coisa há-de concluir-se daqui, porque as diferenças são óbvias e o atraso que levamos dos espanhóis até já chegou ao Hóquei em Patins...
Cada português na Diáspora sabe perfeitamente o que quer fazer com a sua vida. Traça planos, estratégias e alcança objectivos segundo o calendário traçado. Encontrei empresários de sucesso em actividades que julgava pouco possíveis para o emigrante e assim verifiquei com muito agrado o sucesso de Armando Rio no Crédito Imobiliário e nos projectos empresariais ou o sucesso de José Gomes de Sá e Elidia Salles na comunicação social exclusivamente em Português com edições de 60 000 exemplares.
No fundo, todos eles sentem a mágoa de não terem uma palavra dos nossos representantes diplomáticos quando ela era precisa. Todavia são pessoas bem diferentes das que chegaram a França a salto à 50 anos e, por isso, já sabem que as embaixadas e os consolados são apenas locais para tratar deborucacias, porque a saudade, o patritismo, a cultura, a gastronomia, a música, essas sim são tomadas nas mãos dos interessados.
Cada vez mais vão virando as costas aos senhores que só se lembram deles para lhes pedir o voto e nada mais.
Portugal não pode perder esta sua relação com França, porque a pátria da igualdade, fraternidade e liberdade continua na vanguarda das ideias e a apontar o caminho que a Europa Ocidental deve seguir.
Primeiro é preciso definir o que queremos e para onde vamos. Só depois importa cuidar de saber como projectamos a nossa vontade e escolhemos o nosso destino comum. Há que dar primazia às ideias e discuti-las generalizadamente sem complexos, sem limitações ou constrangimentos. Depois, então virão os homens que melhor apliquem na prática as ideias que a maioria da população reconheça como as melhores para o bem-estar e melhor qualidade de vida para todos.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Em Defesa de um Colega
Todavia, para aquilo que hoje me leva a escrever estas linhas não é relevante o conhecimento pessoal, porque é suficiente a experiência profissional.
O Dr. João Grade foi constituído arguido após terem sido encontrados uns comprimidos de anfetaminas e de ecstasy dentro de um estojo de óculos no interior de um saco com objectos pessoais pertencentes a uma cliente detida no estabelecimento prisional de Odemira. De facto, é preciso salientar que o Dr. João Grade não tentou entrar com as substancias proibidas por forma a passá-las à cliente. De acordo com todas as noticias disponíveis sobre este caso ele fez o que qualquer visitante é obrigado a cumprir quando deseja entregar algo a um detido/recluso, deixando na portaria aquilo que será entregue ao destinatário depois de passar por uma revista a cargo dos guardas prisionais. É preciso que se saiba que o Dr. João Grade podia ter posto compridos nos bolsos ou na sua pasta e por certo não seria detectado, porque a única preocupação com a entrada de um Advogado num estabelecimento é a de não introduzir armas ou objectos que possam ser utilizados como tal, sendo certo que os guardas pedem para que se abra a pasta e depois limitam-se a espreitar o seu interior ao mesmo tempo que se passa por um detector de metais. Não gosto de fazer processos de intenções ou de embarcar em teorias da conspiração, mas a verdade é que o Dr. João Grade é o Advogado de Leonor Cipriano no processo em que esta acusa vários inspectores da PJ de tortura, de coacção grave, de ofensa à integridade física e isso tem os seus custos a todos os níveis.
Estando a cliente em prisão preventiva não podia ir recolher os seus pertences à casa que habitara até à sua detenção. Por ser estrangeira e não ter outra pessoa que o pudesse fazer, solicitou ao seu advogado que lhe fizesse o favor de ir buscar os sacos que a senhoria já teria embalado.
Como pessoa de bem, o Dr. João Grade concordou e naturalmente não abriu os sacos para examinar o que continham. Os inspectores da PJ, entre os quais Gonçalo Amaral (primeiro coordenador da investigação do caso Maddie), foram recentemente pronunciados e vão ser julgados, porque segundo o juiz de instrução existe uma forte probabilidade de serem condenados, devido aos indícios recolhidos no processo.
Por sua vez o Dr. João Grade irá patrocinar os interesses de Leonor Cipriano com o ferrete de ser arguido num processo de tráfico de estupefacientes e se isto não diminui a sua capacidade de trabalho vai seguramente diminuir a sua imagem perante o exigente tribunal da opinião pública que condena os seus arguidos mesmo sem ter provas.
Apesar de me esforçar para não pensar isto, creio que estamos perante uma situação de aplicação da velha pena de Talião, do “olho por olho, dente por dente”: para contrapor a polícias torturadores dá um certo jeito um Advogado sob investigação! Resta-me agradecer ao Dr. João Grade o que aprendi com a sua desgraça, porque depois disto não terei qualquer problema de consciência em recusar fazer um favor deste género a um cliente!...
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Um convite inesperado!
O convite é em si surpreendente porque não tenho actividade política, nem pertenço a qualquer sociedade secreta. Porém, a surpresa ganha uma dimensão inesperada pelo facto do local das conferências ser Paris e a origem do convite ser um jornal para emigrantes, uma livraria e algumas associações de emigrantes da região parisiense.
A única condição imposta é/foi a de abordar o tema do ponto de vista do testemunho pessoal de um jovem estudante que graças ao facto de residir na Baixa Pombalina viu a revolução da sua janela.
Vou, como sempre, fazer um guião para depois improvisar o discurso sem me perder muito por varedas que depois me impeçam de voltar ao caminho traçado.
Prometo dar-vos conta do que lá se passar, porque a situação é inédita e causa-me já alguma ansiedade criativa.
Sinceramente, meto-me em cada alhada...
quinta-feira, 10 de abril de 2008
Será a democracia um mal menor?
Assim como quem não quer a coisa, mas com muito orgulho recordo os professores Adriano Moreira, António da Mota Veiga, Inocêncio Galvão Telles e José João Gonçalves Proença, como tendo em comum o facto de haverem sido titulares e pastas ministeriais no consolado do professor Oliveira Salazar. Privei com eles tempo suficiente para perceber que o facto de terem sido ministros constituía apenas o reconhecimento da sua competência profissional e a sua dedicação à causa pública. Curiosamente em circunstâncias muito diversas acabei por ouvir de todos um desabafo que hoje me faz sorrir: diziam eles que a sua saída do governo tinha sido um alívio para a família, porque do ponto de vista económico estavam a perder dinheiro!
Se quisermos perder algum tempo com essa tarefa, podemos ver que todos eles retomaram as suas brilhantes carreiras académicas e profissionais como se tivessem feito uma pausa para um café.
Claro está que entendo perfeitamente que ser Ministro é uma actividade temporária e que portanto há que ganhar a vida quando se cessa funções.
Já tenho alguma dificuldade em entender que agora o facto de alguém ter sido Ministro funcione como uma espécie de abra cadabra, palavra mágica que dá acesso à fortuna.
À vossa consideração deixo abaixo a redacção do art. 335º do Código Penal, norma que tipifica o crime de Tráfico de Influência e com isto me calo:
“Artigo 335.º - Tráfico de influência
Quem obtiver, sem que lhe seja devida, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou a sua promessa, para, abusando da sua influência, conseguir de entidade pública decisão ilegal sobre encomendas, adjudicações, contratos, empregos, subsídios, subvenções ou outros benefícios é punido com pena de prisão de 6 meses a 5 anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.”