segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Uma canção de mim para ti

Esta coisa de criarem um Dia para tudo é algo com que não concordo, porque todos os dias são bons para festejarmos/comemorarmos o que muito bem desejarmos.
Acresce ainda que S. Valentim nada nos diz e, por isso, não compreendo esta súbita devoção ao santo que de repente nos querem impingir como patrono dos namorados.
Seria muito mais interessante que nós, portugueses, festejássemos antes qualquer data relacionada com Pedro e Inês, porque a sua história de amor faz parte da nossa matriz cultural e está imortalizada na pedra dos seus túmulos em Alcobaça !
Felizmente, namoramos todos os dias e não nos lembramos um do outro apenas nesta data.
Hoje em vez de palavras e de gestos trago-te uma canção que fala por mim.
Peço-te que a ouças com atenção, porque o que o Van Morrison diz podia muito bem ser dito por mim.
Então, meu amor, de mim para ti aqui fica esta canção:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O terceiro elemento

Durante 14 anos não souberam da sua existencia. Um dia de uma forma inesperada e sobretudo imprópria souberam finalmente que ele existia. Pediram para que o conhecimento pessoal se fizesse após passar o efeito do choque da notícia, o que foi entendido como algo de natural.
Eu, por seu lado, sempre soubera que eles existiram, pelo que passou a encarar o primeiro encontro como a concretização de um anseio há muito sentido, tudo foi devidamente combinado para o tal primeiro encontro e numa tarde de Janeiro de 2007 encontraram-se finalmente.
Foi quase fugaz esse encontro no qual o mais velho fez as despesas da conversa, o que também foi entendido como sendo natural.
Despediram-se, acordando que outros encontros se sucederiam, outras formas de contacto estabeleceriam para se conhecerem melhor e para tanto trocaram os números de telemóvel, além de se adicionarem reciprocamente nos seus msn. Sobre aquela tarde de Janeiro já se passaram 2 anos. Nunca houve um telefonema entre eles. Os escassos contactos ocorreram no msn e a iniciativa partiu sempre dele, sendo as mensagens meramente de cortesia. A mesma cortesia que esteve presente nos parabéns trocados por e-mail e nas prendas que ainda trocaram no primeiro ano, nas datas festivas, utilizando o pai como correio das mesmas. Nem o facto de dois serem colegas de turma desde o ano lectivo de 2007/2008 alterou as coisas aliás, ele ficou ciente do seu papel quando foi apresentado a alguns colegas apenas como se apresenta um amigo. Dito de outro modo, os colegas não sabem que eles são irmãos. Os professores também ignoram esse facto ou, pior do que isso, fingem desconhecê-lo. Até quando durará esta farsa? Por quanto tempo mais durará a repressão de sentimentos que até aqui não passam/passaram do pensamento?
No meio de tudo isto está um pai que bem queria que as coisas não estivessem como estão. Um pai que queria ter 3 filhos e não 2 + 1 como nos shampoos. Um pai que seria feliz se visse os 3 filhos conviverem como irmãos, não para lhe fazerem jeito, mas sim porque era isso que as suas consciências livres o tinham desejado.

O caso Freeport nao é uma conspiração

Mais uma vez veio o primeiro ministro de Portugal acenar com a teoria da conspiração que à semelhança dos três pastorinhos na cova da iria, so ele vê que o resto do povo já percebeu muito bem o que se passou com a aprovação apressada do maior outlet.
O que se dizia em Roma quando surgiam rumores sobre a conduta da mulher do Imperador: não basta à mulher de César ser séria, tem de parecê-lo!
Desde logo, como qualquer cidadão, o primeiro ministro goza da presunção de inocência, mas isso não lhe concede o direito de gozar connosco a torto e a direito. De uma vez por todas haja coragem de gritar a plenos pulmões que este caso é extremamente fácil de resolver, sobretudo quando se ouve o tio Júlio a admitir que tem de facto 4 milhões de euros em offshores.
Em boa verdade os investigadores podem satisfazer o desejo expresso pelo primeiro ministro de que o caso se resolva rapidamente: o tio Júlio que apresente os justificativos dos 4 milhões de euros que aplicou nos offshores e o caso fica arrumado!
Certamente que o tio Júlio enquanto empresário que é, não terá qualquer dificuldade em explicar às autoridades todas as circunstancias de tempo, modo e lugar em que conseguiu reunir aquela matia.
Se foram comissões de mediação imobiliária existirão os contratos que formalizaram os negócios do tio Júlio, não é verdade?
De uma coisa pode o primeiro ministro estar descansado, é que eu tenho a certeza que ele jamais depositaria 4 milhões de euros numa qualquer conta de que fosse/seja titular !
Já agora como tanto se fala em cooperação judiciária, quando a europoll é uma realidade, causa estranheza esta separação tão vincada das investigações no reino unido em Portugal, sendo certo que as cartas rogatórias são invariavelmente tratadas como papel higiénico pelas autoridades do país rogado ao seu cumprimento.
O primeiro ministro admitiu ter tido uma reunião, mas uma amnésia selectiva faz com que ele não se recorde se alguma vez o tio Júlio dos 4 milhoes de euros lhe tivesse falado sobre o freeport de Alcochete.
Relembro que o primo que escreveu o tal e-mail que a a policia britânica tem o seu processo nem sequer foi tratado como tal pelo primeiro ministro, o qual preferiu a ele como um familiar – e que grande família! Um enredo destes seria um best seller se tivesse chegado às mãos de Mario Puzo …