quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Oxalá

Faltam poucas horas para que 2010 entre nas nossas vidas, ocupando a vez e o lugar do desgraçado 2009. É a altura dos balanços, das revistas, dos melhores e dos piores, enfim, de olhar para para trás e dizer qualquer coisa sobre o que foram os 365 dias que agora se concluem. Não vou seguir a corrente. Prefiro antes deixar-vos o meu voto sincero de que o novo ano vos traga tudo aquilo que para cada um de vós faz parte da Felicidade.
Oxalá cada um de vós consiga daqui por um ano, a esta hora de 31 de Dezembro de 2010, dizer "como fui feliz este ano"!

sábado, 24 de outubro de 2009

A casa dos livros e das recordações

A Saudade vagueia pela casa, sem pressa, com o passo lento de quem não se preocupa com o passar das horas.
Está diferente a casa depois das obras de remodelação, apresentando-se agora com outra disposição e com um ar rejuvenescido. Verifico com agrado que todas essas alterações não lhe retiraram o encanto natural que ela sempre teve aos meus olhos. Reconheço que as madeiras dos tectos e dos pavimentos por estarem apenas envernizadas conferem-lhe um charme que se conjugue bem com a sua localização privilegiada. Abro agora uma das janelas da sala e tenho diante de mim uma vista soberba que vai de Cacilhas até ao alto do Parque Eduardo VII, tendo pelo meio a ponte sobre o Tejo e todo o vale da Baixa Pombalina. Conheço bem cada um dos pontos que preenchem esta paisagem soberba onde o rio não só pára as margens, mas abre a porta para o grande oceano.
Os livros continuam nas estantes alinhados de acordo com o critério que o meu pai e eu encontrámos para os arrumar. Sinto uma indisfarçável emoção enquanto toco com as mãos aquelas lombadas familiares, é como se tivesse a reencontrar uns amigos que há algum tempo não apareciam. Tive a sorte de ter um pai que era um leitor compulsivo e que por ter esse vicio dos livros muito cedo começou a meter-me nas mãos todo o tipo de obras, porque para ele o importante era ler tudo o que pudéssemos. Todos os livros foram lidos por nós pelo menos uma vez, ou seja, não é possível encontrar um livro virgem naquela casa. Sorriu ao lembrar-me dos 300 livros que ganhei no programa “Acontece” do Carlos Pinto Coelho e para os quais fui obrigado a comprar duas estantes para o corredor da minha actual casa. Volto a lamentar que o meu pai já cá não estivesse para partilhar comigo o prazer de abrir todas aquelas caixas cheias de livros.
Abro a janela do meu quarto e vejo as muralhas do Castelo de S. Jorge e o seu arvoredo tão familiar. Reparo também na Sé e nos barcos que vão percorrendo o rio em todas as direcções. Creio que sobre o meu ombro pousou a mão de alguém que me habituei a encontrar cada vez que regresso à minha velha casa da Rua da Madalena.
Deixo que essa mão me toque e me passe o seu calor amigo. Naquele momento a Saudade e eu parámos por um breve instante de vaguear pela casa.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Uma morte em combate

João Melo Ferreira era advogado e foi cobardemente assassinado no seu escritório na passada segunda-feira, 28 de Outubro. A notícia começou, como tantas vezes acontece, por ser incorrecta já que se dizia que o advogado tinha sido atingido com um tiro na cabeça por um cliente à porta do tribunal. Os comentários a esta notícia imperfeita alinharam quase todos por uma inexplicável compreensão pela atitude do cliente, sendo este desculpabilizado com o argumento de que por vezes os advogados fazem perder a cabeça a uma pessoa. Afinal as coisas não se passaram como essa primeira notícia avançou: João Melo Ferreira tinha escritório perto do tribunal de Estarreja e convocara o marido de uma cliente para uma reunião preparatória do processo de divórcio que aceitara patrocinar. Convidou para ir ao seu escritório a parte contrária, por certo com o propósito de encontrar a melhor solução para o caso, sem que o processo se arrastasse em juízo. É uma situação banal este tipo de convocatórias para uma reunião ou conversa informal no nosso escritório, havendo por vezes a recusa da outra parte em comparecer. É também vulgar que a parte se faça acompanhar ou representar por um colega.
Naquele final de manhã a parte contrária deslocou-se ao escritório do malogrado Melo Ferreira acompanhada de uma pistola e desvairada pelo ódio para com aquele que procurava defender os interesses da sua cliente à luz do bom senso e do equilíbrio que a idade (53 anos) e a longa experiência profissional lhe davam. O pensamento daquele advogado foi considerado pelo assassino como perigoso e, por isso, a solução encontrada foi atingi-lo a tiro na cabeça.
Quem faz do combate de ideias e do antagonismo das opiniões modo de vida não está preparado para lidar com uma corja crescente de indivíduos que não respeitam o próximo e partem para a violência por ''dá cá aquela palha''.
Tombou um homem que de uma forma educada, civilizada e correcta procurou o diálogo, procurou a discussão das ideias e encontrou do outro lado da mesa a Morte disfarçada de marido de uma cliente.
Há muitos anos, Adelino da Palma Carlos disse que ''ser advogado é tocar às estrelas'', hoje em 2009 eu digo que ser advogado é estar sempre preparado para um duelo e ser capaz de disparar primeiro sobre o antagonista.

domingo, 16 de agosto de 2009

E já se passaram 40 anos...II

Completam-se hoje 40 anos sobre o primeiro dos três dias que fizeram de Woodstock um marco na cultura do século XX. A modernidade do festival está bem patente em cada uma das actuações dos 33 artistas e grupos/bandas que preencheram aqueles 3 dias inesquecíveis de música, paz e amor, mas também com muita marijuana e muito ácido.
Nós por cá fazíamos tudo para imitar os nossos ídolos e todos aqueles que dia após dia engrossavam as fileiras do movimento hippie, consumindo as roupas que chegavam de Londres para a mítica loja por-fí-ri-os na Baixa lisboeta.
Na impossibilidade de vos “obrigar” a ver o filme do Festival optei por vos deixar aquela que foi a primeira canção tocada ao vivo por David Crosby, Stephen Stills e Graham Nash que recentemente se haviam juntado para gravar o albúm Crosby, Stills & Nash.
A canção tem a particularidade de ser inspirada nos belos e doces olhos azuis de Judy Collins que além disso era ainda uma conceituada cantora/compositora. Regressemos aquele 15 de Agosto de 1969 e aquela quinta de 6 hectares, situada a cerca de 130 km de Nova Iorque e ouçamos uma das mais fantásticas harmonias vocais alguma vez conseguidas em cima de um palco:


http://www.youtube.com/watch?v=t1WGF5sA-3c

quinta-feira, 9 de julho de 2009

E já se passaram 40 anos...

Foi em 20 de Julho de 1969 que o módulo lunar Eagle deixou na superfície da Lua os astronautas Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin que ali permaneceram durante 21 horas até se reunirem com sucesso ao seu companheiro Mickael Collins que ficara a orbitar os comandos da Apolo 11.
Cumpria-se o sonho de JFK de ter um Americano na Lua antes do final da década e os EUA batiam a rival URSS na corrida do espaço e na conquista da Lua.
Nesse mesmo ano as rádios FM não se cansavam de passar a música de um sujeito algo estranho que mão se limitava a executar as suas canções no palco como também ousava maquilhar-se, pintar o cabelo de corte esquisito e vestir roupas andróginas.
Começávamos então a ouvir falar de David Bowie e para mim, como por certo para muitos jovens, space oddity foi a banda sonora dos voos espaciais. O tema tem 40 anos, mas faz-nos lembrar certas pessoas – não parece!
Querem um conselho? Olhem para as estrelas neste magnifico firmamento de Verão, enquanto escutam esta música!...

O louco da colina

Dentro de mim, no ponto mais alto de mim, está uma colina onde passo muitas horas a vaguear enquanto vou pensando e falando para mim mesmo. Gosto sobretudo de me sentar junto a um velho pinheiro manso que já está habituado a que eu me encoste ao seu tronco marcado pelos anos e ficar imóvel a olhar o céu, buscando com o olhar alcançar o infinito. Caminho sem me preocupar com mais nada a não ser pensar.
Os meus passos são os de um vagabundo assim como os meus pensamentos são vadios. Uns e outros dão-se muito bem com a solidão que reina na colina.
Penso, reflicto, medito e acabo sempre por guardar para mim os meus pensamentos, as minhas reflexões, as minhas meditações. Ainda hoje me considero um tímido não obstante os outros me considerarem extrovertido. Reconheço não preencho todos os requisitos de um tímido, já que gosto de falar em público e não tenho qualquer constrangimento em fazê-lo, porém prefiro muito mais percorrer a minha colina onde posso gritar todos os disparates que penso do que comunicar aos outros as minhas ideias. É possível que ouçam os gritos de um louco se por acaso ousarem aproximar-se um pouco mais da colina. Pelo menos escutarão o eco das suas palavras e não deixarão de dizer que há um louco na colina.

Curtissima (escrito em 30/06)

Morreu Rui Canas, o principal arguido do chamado mega processo de corrupção na Administração Fiscal. Embora o seu falecimento tenha ocorrido em Outubro de 2008, a verdade é que até hoje o seu acento de óbito ainda não chegou aos autos e para todos os efeitos o homem continua vivo como o demonstrou a mais recente notificação que recebi na passada semana.
10 anos completos, uma década inteira para resolver um caso que foi lançado na comunicação social com grande pomba e circunstância, como sendo o golpe final na corrupção que infestava a administração fiscal, enquanto em Nova Iorque hoje mesmo um juiz federal condenou a 150 anos de prisão o sr. Madoff após meia dúzia de meses desde o inicio da investigação. O Rui Canas já nem sequer era funcionário publico pois havia sido aposentado compulsivamente e na minha modesta opinião foi tão só um burlão que procurou aproveitar-se da consabida ignorância de alguns empresários em questões de fiscalidade, prometendo-lhes resolver os seus problemas com o fisco mediante o pagamento de boas maquias. Até o insuspeito consórcio da lusoponte entrou ao tempo com 60.000 contos que foram contabilizados como despesas confidenciais e claro que o problema não foi resolvido…o seu património pelos vistos está bem e recomenda-se, porque não foi só o Sr. Costa a divorciar se para entregar os bens à mulher de quem se divorciou mas que nem por um segundo deixou de ser sua mulher.
Tudo está a salvo num paraíso fiscal como era obrigatório para um “especialista” em fiscalidade…

sábado, 6 de junho de 2009

O aerograma

Ela ela analfabeta, sabendo apenas escrever o nome e por força disso era eu que lhe lia os aerogramas do irmão e que depois os respondia.
Por vezes, quando me lembrava, lá passava pela junta de freguesia a trazer uma mão cheia de aerogramas para ela me ditar tudo aquilo que queria dizer ao irmão que fintava a morte em cada saída para o mato da Guiné.
Naquele dia resolvi abrir o aerograma antes de o entregar a ela, porque reparei que a letra não era a do António. De facto, daquela vez quem escrevia era o furriel Barbosa para dizer que o António estava internado em Bissau na sequência de ter sido ferido numa emboscada. Fora projectado do Jeep pelo rebentamento de uma mina e ficara literalmente com o peito aberto. Estava em coma e não havia grandes esperanças que pudesse sobreviver. Recordo-me que terminei a leitura em voz alta e a chorar copiosamente.
Pela minha cabeça passaram algumas imagens de bons momentos passados na companhia do António, sempre bem disposto, sempre com uma inesgotável paciência para aturar o garoto de 10 anos que eu era. Não era possível que o meu amigo fosse morrer naquela terra com tantos rios que eu tivera de decorar para o exame da 4ª classe. Havia qualquer coisa que me dizia que ele venceria a luta que travava na cama do hospital.
O meu drama estava em saber como dar a noticia à Isabel. Como iria ela reagir era algo que não conseguia nem pensar e foi assim que tomei a decisão de não lhe ler o aerograma. Quando ela chegou fiz de conta que tudo estava bem e à sua pergunta se havia correio respondi com um não todo sorridente. Entretanto, há medida que o tempo passava começava a preocupar-me com a continuação da história, e se o António acabasse mesmo por morrer? Talvez profeticamente ele tinha dito antes de partir que a família recebia do exercito um telegrama em caso de morte do militar e isto deixou-me de certa forma mais tranquilo porque nunca seria um aerograma a dar a pior das noticias. De repente, Isabel pediu-me para escrever ao irmão. Disse-me que sonhara com ele e que o sonho não tinha sido nada bom. Vira-o com a farda cheia de sangue tombado no chão. Precisava de lhe escrever para aliviar a cabeça dos maus pensamentos. Isabel ditava e eu escrevia no papel azul do aerograma as palavras que talvez António nunca chegasse a ler. A partir de certa altura deixei de ouvir o que me ditava e passei a escrever o que eu queria dizer ao meu amigo. Comecei por me justificar, por lhe pedir desculpa por não ter contado à irmã o que lhe tinha acontecido. Lembro-me que terminei dizendo-lhe que tinha a certeza que o iria abraçar de novo em Lisboa e que já tinha saudades dos passeios que dávamos. Passados alguns dias chegou outro aerograma ainda escrito pelo Furriel, mas já com a boa notícia de que o António saira do coma e que ficara conhecido como o morto-vivo. Já estava consciente embora imobilizado no leito do hospital e com a preocupação de que ele, Furriel escrevesse à irmã e não se esquecesse de mandar um abraço ao Carlitos.
Ela era analfabeta, sabendo apenas escrever o nome e por força disso corri nesse dia para lhe dizer que tínhamos noticias do António e que se ela quisesse podia responder-lhe nessa mesma noite.

Nausia

(Texto escrito no início de Maio)
Fui ontem depositar 2 clientes ao estabelecimento prisional da PJ e ainda estou nauseado com aquilo que me contaram os meus constituintes sobre os privilégios do sr. Dr. José Oliveira e Costa tenciono comunicar o caso ao meu Bastonário para ver se ele parte a loiça que os srs jornalistas não quiseram partir. Acontece que os detidos naquele EP têm direito a ter visitas três vezes por semana durante 45 minutos, ao passo que o homem do BPN tem visitas diárias durante 2 horas. A comidinha é toda ela fornecida por um restaurante ao gosto do sr costa que assim não tem de ingerir o rancho da cadeia e para cumulo desta situação aberrante o homem tem internet na cela, podendo desse modo comunicar com todo o mundo sem cumprir a norma aos outros desgraçados de só poderem ligar com o seu cartão para números previamente comunicados à direcção do estabelecimento.
Desculpem, mas vou ter de ficar por aqui, porque estou com vómitos e receio sujar o teclado.

Do mais fundo da minha alma !

(Texto escrito dia 25 de Abril)

Gritei o teu nome pelas ruas enquanto o capitão maltês mandava soltar os cães para que me calasse. Escrevi sobre ti em jornais do Liceu e em panfletos que o Pide que admiro procurava apagar antes da distribuição. Por ti fui transferido compulsivamente no meu 5º ano do Gil Vicente para o Passos Manuel com a única justificação apresentada pelo tal Casimiro de que era subversivo. Para te agradar deixei crescer o cabelo como se fosse a juba de um leão. Pensando em ti deixei que as lágrimas me turvassem o olhar enquanto escutava a rádio Portugal livre. Ainda por ti cantei com devoção José Afonso, Luís Cília, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira e todos aqueles que te dedicaram canções que sabíamos decor. Sempre por ti peguei num cravo e depois de o beijar corri como um louco até não poder mais. Por ti, escolhi a minha profissão para que pudesses ser de todos e não apenas de alguns. Pronuncio o teu nome e não posso hesitar a mesma emoção que senti da primeira vez que fomos apresentados. Para que fosses minha nunca hesitei em me entregar de corpo e alma nos teus braços e neles adormecer em paz. Por tudo isto e por tudo aquilo que eu não consigo dizer por palavras é que eu te quero tanto, LIBERDADE!

Problema

Devido a um problema do Blogger, os meus textos não conseguiam ser publicados, ainda assim não parei de escrever e (parece) que finalmente o blogger está a trabalhar em condições, como tal peço desculpa aos meus fiéis leitores pela demora, mas aqui vão alguns textos!

domingo, 5 de abril de 2009

A Escala de Mohs

Há muitos anos aprendi que no reino mineral a excelência se mede pelo critério da dureza segundo uma hierarquia organizada na célebre Escala de Mohs. Tem esta 10 graus ou níveis que vão desde o talco ao diamante, considerando a sua ordem crescente.
Ao longo dos anos verifiquei que a velha Escala de Mohs não se aplicava exclusivamente aos minerais, mas também aos homens, talco, gesso, calcite, fluorite, apatite, feldspato, quartzo, topázio e curindo. Existem na Humanidade e cruzam-se connosco sem darmos por isso. Quem nunca ficou incomodado por tropeçar num homem talco, ser poroso, demasiado frágil, sempre pronto a esboroar-se. E com o homem gesso? Nunca se cruzaram com esse ser aparentemente duro mas quebradiço? Sem dúvida que há medida que avançamos na escala tomamos consciência que as coisas estão organizadas numa pirâmide cuja base é precisamente constituída pelos homens talco e cujo vértice é formado pelos raros homens-diamante. É de um deles que vos quero falar. Humilde e despreocupado ainda não se apercebeu que afinal é carbono puro. É sem o saber, um diamante precioso onde a luz do sol se refracta em 1001 espectros refulgentes. Nem sequer precisa de ser lapidado para ser brilhante. Possui a qualidade inata de liderança que faz dele o centro das atenções esteja onde estiver. Uns chamam a isso carisma, eu chamo-lhe simplesmente brilho natural. Aquele brilho que só os diamantes conseguem ter, porque são feitos apenas de carbono puro.
Louco e rebelde faz os possíveis por esconder a sua condição de diamante, fingindo ser quem não é. Assim vai esbanjando boa parte da qualidade da sua mente brilhante apenas porque não quer aceitar o facto de ser um diamante! Perde tempo com coisas perfeitamente desnecessárias ao seu projecto de vida, mas ainda assim o que lhe sobra é suficiente para continuar diferente. Quer ser apenas um na multidão, mas não consegue, porque tudo nele resplandece como só uma gema de diamante pode resplandecer. Enquanto os outros precisam de luz para serem notados, ele mesmo no escuro brilha como uma estrela polar brilha no firmamento numa noite de Agosto.
É preciso que olhes para um espelho e vejas finalmente aquilo que ele tem para te mostrar. Vá lá, não voltes mais uma vez a cara para o lado. Não faças de conta que não percebes. Sei que tens dificuldade em aceitar que aquele diamante que o espelho mostra és afinal tu, mas vais ter de aceitar esse facto. Não podes querer ser um quartzo ou um topázio, quando és um diamante. Já aceitaste há algum tempo a tua beleza física. Está na hora de aceitares a tua beleza intelectual, porque só assim poderás ser feliz.

A propósito da Páscoa

Aproximamo-nos da Pascoa e da Semana Santa que a antecede. Não quero falar de religião ou dos outros temas habitualmente tratados nesta época e por causa dela, quero, isso sim, prestar a minha homenagem à figura histórica de Jesus Cristo através de um clip do youtube feito sobre a canção la saeta de Juan Manuel Serrat.
Quando discuto esta musica sou imediatamente transportado para uma qualquer calle de Sevilha, ali nas cercanias da catedral. Apesar de a ouvir sempre que me apetece, não nego que ainda me faz pele de galinha a interpretação estrondosa de Serrat , o eterno menino de Barcelona .
Ficarei muito contente se pelo menos um dos meus pacientes leitores/visitantes se emocionar como eu ao ouvir esta fotográfica criação do grande compositor catalão.
Na Páscoa pensem em Jesus Cristo e não nas amêndoas ou nos ovinhos de chocolate com que somos brindados e escutem então La Saeta de Juan Manuel Serrat:

http://www.youtube.com/watch?v=pHwhhVWoFJI

quarta-feira, 18 de março de 2009

Música para Navegantes

Sou um eterno navegante dos oceanos do Amor e não tenho qualquer problema em manifestar o q sinto, o q penso, o q desejo.
Há canções que são a banda sonora do filme da nossa vida, porque estão de tal como ligadas a nós que até parece que foram feitas propositadamente para ilustrar aquele momento que vivemos.
Lembrei-me hoje de vos trazer uma canção que me toca particularmente desde a primeira vez que a ouvi e já lá vão quase 34 anos.
Trata-se de sailing do imortal Rod Stewart, editada em 1975 no álbum Atlantic Crossing.
É seguramente uma das 10 melhores baladas de toda a história do rock. Vá lá, façam um pequeno esforço e tentei procurar nos arquivos da vossa memória um momento da vossa vida em que a musica de fundo era/foi sailing e depois não digam que não sou vosso amigo.
Embarquemos, pois, que a viagem ao som desta musica fica bem mais fácil de fazer.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Uma canção de mim para ti

Esta coisa de criarem um Dia para tudo é algo com que não concordo, porque todos os dias são bons para festejarmos/comemorarmos o que muito bem desejarmos.
Acresce ainda que S. Valentim nada nos diz e, por isso, não compreendo esta súbita devoção ao santo que de repente nos querem impingir como patrono dos namorados.
Seria muito mais interessante que nós, portugueses, festejássemos antes qualquer data relacionada com Pedro e Inês, porque a sua história de amor faz parte da nossa matriz cultural e está imortalizada na pedra dos seus túmulos em Alcobaça !
Felizmente, namoramos todos os dias e não nos lembramos um do outro apenas nesta data.
Hoje em vez de palavras e de gestos trago-te uma canção que fala por mim.
Peço-te que a ouças com atenção, porque o que o Van Morrison diz podia muito bem ser dito por mim.
Então, meu amor, de mim para ti aqui fica esta canção:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O terceiro elemento

Durante 14 anos não souberam da sua existencia. Um dia de uma forma inesperada e sobretudo imprópria souberam finalmente que ele existia. Pediram para que o conhecimento pessoal se fizesse após passar o efeito do choque da notícia, o que foi entendido como algo de natural.
Eu, por seu lado, sempre soubera que eles existiram, pelo que passou a encarar o primeiro encontro como a concretização de um anseio há muito sentido, tudo foi devidamente combinado para o tal primeiro encontro e numa tarde de Janeiro de 2007 encontraram-se finalmente.
Foi quase fugaz esse encontro no qual o mais velho fez as despesas da conversa, o que também foi entendido como sendo natural.
Despediram-se, acordando que outros encontros se sucederiam, outras formas de contacto estabeleceriam para se conhecerem melhor e para tanto trocaram os números de telemóvel, além de se adicionarem reciprocamente nos seus msn. Sobre aquela tarde de Janeiro já se passaram 2 anos. Nunca houve um telefonema entre eles. Os escassos contactos ocorreram no msn e a iniciativa partiu sempre dele, sendo as mensagens meramente de cortesia. A mesma cortesia que esteve presente nos parabéns trocados por e-mail e nas prendas que ainda trocaram no primeiro ano, nas datas festivas, utilizando o pai como correio das mesmas. Nem o facto de dois serem colegas de turma desde o ano lectivo de 2007/2008 alterou as coisas aliás, ele ficou ciente do seu papel quando foi apresentado a alguns colegas apenas como se apresenta um amigo. Dito de outro modo, os colegas não sabem que eles são irmãos. Os professores também ignoram esse facto ou, pior do que isso, fingem desconhecê-lo. Até quando durará esta farsa? Por quanto tempo mais durará a repressão de sentimentos que até aqui não passam/passaram do pensamento?
No meio de tudo isto está um pai que bem queria que as coisas não estivessem como estão. Um pai que queria ter 3 filhos e não 2 + 1 como nos shampoos. Um pai que seria feliz se visse os 3 filhos conviverem como irmãos, não para lhe fazerem jeito, mas sim porque era isso que as suas consciências livres o tinham desejado.

O caso Freeport nao é uma conspiração

Mais uma vez veio o primeiro ministro de Portugal acenar com a teoria da conspiração que à semelhança dos três pastorinhos na cova da iria, so ele vê que o resto do povo já percebeu muito bem o que se passou com a aprovação apressada do maior outlet.
O que se dizia em Roma quando surgiam rumores sobre a conduta da mulher do Imperador: não basta à mulher de César ser séria, tem de parecê-lo!
Desde logo, como qualquer cidadão, o primeiro ministro goza da presunção de inocência, mas isso não lhe concede o direito de gozar connosco a torto e a direito. De uma vez por todas haja coragem de gritar a plenos pulmões que este caso é extremamente fácil de resolver, sobretudo quando se ouve o tio Júlio a admitir que tem de facto 4 milhões de euros em offshores.
Em boa verdade os investigadores podem satisfazer o desejo expresso pelo primeiro ministro de que o caso se resolva rapidamente: o tio Júlio que apresente os justificativos dos 4 milhões de euros que aplicou nos offshores e o caso fica arrumado!
Certamente que o tio Júlio enquanto empresário que é, não terá qualquer dificuldade em explicar às autoridades todas as circunstancias de tempo, modo e lugar em que conseguiu reunir aquela matia.
Se foram comissões de mediação imobiliária existirão os contratos que formalizaram os negócios do tio Júlio, não é verdade?
De uma coisa pode o primeiro ministro estar descansado, é que eu tenho a certeza que ele jamais depositaria 4 milhões de euros numa qualquer conta de que fosse/seja titular !
Já agora como tanto se fala em cooperação judiciária, quando a europoll é uma realidade, causa estranheza esta separação tão vincada das investigações no reino unido em Portugal, sendo certo que as cartas rogatórias são invariavelmente tratadas como papel higiénico pelas autoridades do país rogado ao seu cumprimento.
O primeiro ministro admitiu ter tido uma reunião, mas uma amnésia selectiva faz com que ele não se recorde se alguma vez o tio Júlio dos 4 milhoes de euros lhe tivesse falado sobre o freeport de Alcochete.
Relembro que o primo que escreveu o tal e-mail que a a policia britânica tem o seu processo nem sequer foi tratado como tal pelo primeiro ministro, o qual preferiu a ele como um familiar – e que grande família! Um enredo destes seria um best seller se tivesse chegado às mãos de Mario Puzo …

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Não apagues a luz

O lenço vermelho colocado sobre o quebra-luz conferia ao quarto um certo ar feérico de que ambos gostávamos. Aquela luz era ao mesmo tempo quente e convidativa, despertando-nos os sentidos para tudo aquilo que nos juntara naquela quarto .No caso, era o teu quarto, como podia ser o meu, onde também havia instalado uma luz vermelha.

As nossas vidas tinham outro ritmo, outra medida-padrão e, por isso, os dias pareciam não ter fim.Aprendíamos de forma despreocupada a ser adultos, conjugando todos os verbos no tempo presente, ignorando por completo os restantes tempos e modos.
Cada gente, cada toque, cada sensação era uma novidade que trazia em si o sabor doce da primeira vez. E assim, contigo lá fui de rapaz até homem, muitas vezes sem conseguir perceber porque deixara para trás algumas luzes vermelhas e buscara incessantemente outras luzes que iluminaram o meu caminho até hoje. Até ao presente, que é a ponte entre o passado e o futuro onde sempre nos encontramos.

Por mim podes colocar o lenço vermelho no quebra-luz, porque continuo a achar que tudo assim fica diferente, incluindo nós mesmos.

Finalmente The Doors!

Já lá vão mais de 40 anos sobre o lançamento do álbum Strange Days de onde escolhi a faixa Love me Two Times.
O tempo passou, mas a genialidade da obra de Jim Morrison e companheiros entrou definitivamente no plano da música clássica, daquilo que melhor alguma vez se compôs e se executou.
Não me importo de vos confessar um segredo: Jim Morrison foi o meu grande ícone/ídolo que procurava imitar desde as roupas, ao cabelo, à pose e à atitude perante os outros (sobretudo as outras…). Cultivei durante algum tempo aquela imagem do rapaz vestido de negro, de cabelo até bem mais comprido do que o próprio Morrison, de óculos escuros que parecia não ligar ao que o rodeava, enfim também fui adolescente e hoje voltaria de bom grado a repetir tudo o que então vivi.
A canção é como quase todas dos The Doors uma provocação, uma abordagem directa que chocava a moral conservadora dos finais dos anos 60.
No fundo qualquer homem deseja que a sua mulher o ame duas vezes e é esta coisa tão natural que Jim Morrison resolveu cantar como só ele sabia fazer.
Que os deuses da musica estejam convosco agora e sempre!