Não fora a estupidez do rapaz em ter colocado no youtube a cena que filmara com o seu telemóvel e tudo ficaria dentro das quatro paredes daquela sala de aula, porque foi evidente a falta de categoria da professora para lidar com aquela situação.
Exigia-se à senhora mais e melhor, sem que precisasse de ser uma super professora para tratar o caso como se impunha ao nível do controle emocional. Em vez de adoptar uma postura infantil de “rabear” a aluna e de entrar no jogo desta da luta pelo telemóvel através de um estúpido braço-de-ferro, podia e devia a docente seguir o caminho da punição da aluna com uma falta disciplinar e a consequente retirada da sala, passando o caso para o/a colega Director/a de Turma ou ainda directamente para o Concelho Executivo mediante uma participação disciplinar, apresentada directamente ao mesmo.
A professora podia e devia ter saído da sala para pedir ajuda a um funcionário, mas optou por alimentar a situação diante de uma turma que assistia com risadas e comentários ao combate pelo telemóvel. Claro está que os alunos revelaram ali aquilo que são e também aquilo que os pais não lhes dão em casa. A professora foi tratada de velha, ninguém fez o que quer que fosse para pôr cobro à situação, agarrando a colega estérica na fase inicial do confronto. Não, nada disso. O que poucos (dois) fizeram foi puxar a colega com pouca convicção ao mesmo tempo que diziam “já chega”, isto após cerca de 1 minuto e meio de um triste espectáculo.
Passados quase 34 anos de degradação do sistema educativo é que o país acordou para a realidade de uma escola sem rei nem rock, onde a indisciplina e a má criação predominam, onde os professores não sabem como recuperar o seu papel, onde os alunos são o espelho da comunidade em que vivem.
Entretanto, a dona do telemóvel e o realizador do filme foram rapidamente transferidos de escola como se esta medida tivesse o condão de insuflar uma dose mínima de educação nos adolescentes em causa. Ao que parece, a aluna ora transferida compulsivamente da escola Carolina Michaelis já tinha anteriormente sofrido idêntica medida e também, por razões disciplinares.
O seu aproveitamento é miserável, pois reduz-se a um 3 a educação física e a um satisfaz em Área de projecto. Como a lei tutelar de menores, ou melhor dizendo como a aplicação prática da lei tutelar de menores é um verdadeiro desastre, permitiu-se que ela chegasse aos 16 anos nesta condição e com este desenvolvimento de personalidade!...
Agora, no recomeço das aulas, no 3º período vai por certo continuar a utilizar o seu querido telemóvel dentro das salas de aula da sua nova escola, porque combateu-se o efeito e deixou-se ilesa a causa.