sábado, 24 de maio de 2008

A Solução do problema

Por muito menos o engenheiro Guterres demitiu-se e anda agora a tratar dos refugiados, por conta das Nações Unidas.
Dito de outro modo, continua a deixar os problemas sem solução...
O engenheiro Sócrates insiste na mesma estafada retórica de que está a resolver o problema do défice que o governo do PSD lhe deixou e o país fica reduzido ao Deve e Haver do OGE: até quando?
até quando nos impingem esta conversa mole de que a nossa felicidade passa por pagarmos cada vez mais impostos para equilibrar as contas de um Estado esbanjador e desgovernado?
As alternativas que se perfilam para a liderança do PSD não permitem que desapareça de vez este sentimento de amargura que nos preenche.
Que venha alguém capaz de nos devolver o sonho. Que venha um político que se preocupe em servir o povo segundo os padrões dos nossos parceiros da UE.
Que venha alguém com as mãos limpas e com vontade de trocar o discurso que já dura há tantos anos da inavitabilidade da crise.
A culpa não é do Petróleo. A culpa não é dos outros. A culpa é nossa por termos permitido que estes senhores se instalassem à 34 anos e desatassem desvairadamente a levar-nos para o último lugar do ranking dos países do Velho Continente!
Não sou militante do PSD nem de outro qualquer outro partido, mas se tivesse de escolher entre os candidatos à liderança do PSD, não hesitaria: entre uma senhora com ar e feitio da madrasta da gata burralheira, um senhor que vai a todas, um desconhecido que não sabe o que está ali a fazer e um jovem político sem experiencia governativa é facil concluir qual aquele que merece uma oportunidade, porque de facto a experiencia só se ganha fazendo e há qualidades pessoais/humanas que nem o tempo ou o dinheiro as adquirem!...
Com isto tudo, estou a ponderar deixar de escrever estes desabafos sobre o Estado do país, porque há coisas mais bonitas e mais interessantes para escrever.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Quem não se lembra?...

Nas festas de garagem todos os slows eram bem-vindos, o importante era abraçar e tocar o par, balançando o corpo numa cadência sensual ditada pelo desejo. Das muitas baladas que então passavamos esta era obrigatória. Cuidado, vejam onde põem os pés, porque a luz vermelha pouco deixa ver do interior desta festa. Fiquem com Changes, dos míticos Black Sabbath, do não menos mítico e maluco Ozzy Osbourne, que o meu querido amigo Jorge me lembrou um destes dias!

Changes - Black Sabbath

domingo, 11 de maio de 2008

Um resultado surpreendente

Por razões que não posso revelar fui forçado a renunciar ao mandato num processo algo complicado, quer pelo número de arguidos envolvidos, quer pelo número de crimes praticados. A minha renuncia ocorreu quando se entrou/entrava na fase do julgamento, tendo ainda transmitido a minha estratégia para o mesmo, tanto ao meu constituinte como ao seu pai, passando ainda por um colega que amavelmente me telefonou para ouvir a minha opinião.
Estavam em causa mais de 40 assaltos nos quais os intervenientes tinham actuado encapuzados. A investigação assentara quase exclusivamente nas declarações dos arguidos prestadas em sede de inquérito, logo declarações não podem ser lidas na audiência de julgamento, salvo se o arguido que as prestou der o seu consentimento para tal.
As vítimas e as testemunhas presenciais dos factos não tinham reconhecido os arguidos, à excepção de uma situação em que houve actuação com cara descoberta.
A menos que aceitassem falar e, portanto transformar o caso no verdadeiro saco de gatos seria extremamente difícil a acusação obter a condenação de quem quer que fosse e por isso tive oportunidade de manifestar esta minha ideia aos colegas que compareceram no debate instrutório: o caso aconselhava ao silêncio colectivo que só deveria ser quebrado após algo correr mal e uma avaliação ser então feita pelo(s) defensor(es).
O pai foi-me informando do desenrolar do julgamento, dando-me conta que as coisas iam correndo de feição à estratégia que apontara e que havia sido aceite por todos.
Esta tarde recebi o último telefonema dele a dizer que o filho já estava em casa, tendo sido condenado a uma pena suspensa que a alegria dele não o deixou fixar a medida.
Informou-me ainda que o filho irá visitar-me na próxima semana para me agradecer.
Agora só espero é que o jovem aproveite bem a oportunidade que teve, porque um bamburrio destes ocorre uma vez na vida e não se deve abusar da sorte.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Crónica de uma Viagem

Acabo de chegar de Paris e o rescaldo da viagem ainda demorará algum tempo a fazer.
Encontrei uma comunidade perfeitamente integrada, mas demonstrando a cada passo e em cada gesto a sua condição de portugueses. Aprendi que na região de Paris existem agora mais ranchos folclóricos em actividade, do que em Portugal, sendo as associações culturais recreativas e desportivas os verdadeiros centros culturais do nosso país por aquelas paragens. Todas as semanas há festas, concursos e eventos que não passam de um pretexto para reunir um maior número possível de pessoas, fazendo com que a música portuguesa seja a principal atracção.
Muitos jovens mal falam português, mas são os principais entusiastas destas festas e conseguem transformar argenteuil ou monrouge em Lamego ou Vila Real.
Surpresa bem agradável foi a de ter estado na Livraria Lusófona junto à Sordonne e poder apreciar tudo quanto João Heitor faz pela nossa cultura e pela nossa língua. Discretamente, sem grandes ondas a verdade é que este homem consegue manter aceso um facho de lusofonia em pleno coração da que é tida como a mais importante universidade do velho continente.
Tive o privilégio de com João Heitor proferir umas palavras sobre o 25 de Abril.
Em primeiro lugar ele teceu as suas considerações sobre o significado e a importância da data para quem estava há tantos anos fora do país e depois lá me foi dada a palavra para poder dar o meu testemunho de quem esteve na rua nessa quinta-feira de 25 de Abril de 1974 desobedecendo aos apelos dos militares que queriam que a população ficasse em casa. Fiz precisamente a comparação entre a revolução de 1385 e a de 1974, porque em ambas a acção do povo de Lisboa era/foi determinante do resultado final: quando o povo se dirigiu ao Palácio do Limoeiro aos gritos de “Acudam ao Mestre” estavam a carregar o Mestre de Avis com uma força que ele até aí não tinha; quando as ruas de acesso ao largo do Carmo ficaram pejadas de gente que procuravam acarinhar e apoiar os militares por ali espalhados, o antigo regime tinha terminado os seus dias.
A ideia brilhante da vendedeira de flores de distribuir cravos pelos soldados e que estes logo colocaram no cano das suas armas, acaba por introduzir um elemento poético no golpe militar em curso que não pode ser ignorado ou desprezado. No fundo a realidade era aquela de estar ali uma coluna militar muito mal equipada e armada, salvo erro apenas com 6 obuses e muito poucas munições quer para a auto-metralhadora, quer para as armas individuais.
Valeu no caso o maior jogador de Póker que o nosso país já teve ou poderá vir a ter e que foi o capitão Salgueiro Maia. Ele conseguiu enganar as forças sitiadas no Quartel do Carmo com uma rajada curta para a zona alta do edifício e que veio a furar os canos da água do quartel, transformando parte do edifício numa verdadeira catarata inesperada.
Foi a presença da população nas ruas que evitou a passagem de forças ainda leais a Marcello Caetano e nem sequer a PIDE saiu da sua sede na rua António Maria Cardoso nesse dia. Mataria quatro manifestantes no dia seguinte e foi só então que se colocou a questão da sua rendição e extinção. Falei também num pormenor que para mim é decisivo sobre os desenvolvimentos que a revolução irá ter e lembrei à plateia interessada que Marcello Caetano impôs a Salgueiro Maia a condição de lhe trazer um general a quem passasse o poder para que este não caísse na rua.
Ora, como é possível admitir, como podemos compreender que quem esteja a ser deposto tenha capacidade ou margem de manobra para impor uma condição como esta.
É nesta circunstância que se lembram de ir buscar a casa o general Spínola e depois os oficiais que tinham arriscado tudo acabam por arranjar uma coisa chamada “conselho da revolução” com oficiais generais de todos os ramos das forças armadas, completamente diferentes em tudo uns dos outros. Falou a voz da Hierarquia aos corações dos capitães e dos Coronéis que preferiram chamar os velhos chefes militares, mesmo que eles também tivessem velhas ideias.
Falei do país que era definido como o dos três F’s: Fado, Futebol e Fátima, e com um sorriso não pude deixar de perguntar se mudou alguma coisa.
O movimento das forças armadas prometeu-nos três D’s: Descolonização, Democracia e Desenvolvimento, hoje evoluímos para Desinteresse, Desmotivação e Desencanto.
Ninguém se convence que o regime e o sistema constitucionais vigentes estão profundamente doentes e caducos. Nada funciona porque não querem que funcione. Há quantos anos deveríamos estar em círculos uninominais e não estamos. Há quantos anos deveríamos estar num regime presidencialista e não estamos. Veja-se que os nossos políticos mais marcantes e que têm sido reeleitos com votações crescentes na sua reeleição são os presidentes da república.
Vamos no quarto presidente eleito, antes dele tivemos por ordem cronológica: Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio. Todos eles cumprindo dois mandatos. Por sua vez, os nossos vizinhos espanhóis tiveram nesse mesmo espaço de tempo quatro Chefes do Governo, a saber, Adolfo Soares, Felipe Gonzales, José Maria Aznar e José Luís Zapatero, mantendo como Chefe de Estado o rei Juan Carlos. Alguma coisa há-de concluir-se daqui, porque as diferenças são óbvias e o atraso que levamos dos espanhóis até já chegou ao Hóquei em Patins...
Cada português na Diáspora sabe perfeitamente o que quer fazer com a sua vida. Traça planos, estratégias e alcança objectivos segundo o calendário traçado. Encontrei empresários de sucesso em actividades que julgava pouco possíveis para o emigrante e assim verifiquei com muito agrado o sucesso de Armando Rio no Crédito Imobiliário e nos projectos empresariais ou o sucesso de José Gomes de Sá e Elidia Salles na comunicação social exclusivamente em Português com edições de 60 000 exemplares.
No fundo, todos eles sentem a mágoa de não terem uma palavra dos nossos representantes diplomáticos quando ela era precisa. Todavia são pessoas bem diferentes das que chegaram a França a salto à 50 anos e, por isso, já sabem que as embaixadas e os consolados são apenas locais para tratar deborucacias, porque a saudade, o patritismo, a cultura, a gastronomia, a música, essas sim são tomadas nas mãos dos interessados.
Cada vez mais vão virando as costas aos senhores que só se lembram deles para lhes pedir o voto e nada mais.
Portugal não pode perder esta sua relação com França, porque a pátria da igualdade, fraternidade e liberdade continua na vanguarda das ideias e a apontar o caminho que a Europa Ocidental deve seguir.
O nosso problema, a nossa grande questão é traçarmos os objectivos, os fins para os quais nos devemos dirigir e fazer disso um projecto comum de vida. Os meios, as estratégias e os caminhos para alcançar esses fins ou prosseguir tais objectivos são questões secundárias e meramente circunstanciais, porque a escolha pode ser múltipla sem que dai resulte qualquer prejuízo para o desejado projecto comum de vida.
Primeiro é preciso definir o que queremos e para onde vamos. Só depois importa cuidar de saber como projectamos a nossa vontade e escolhemos o nosso destino comum. Há que dar primazia às ideias e discuti-las generalizadamente sem complexos, sem limitações ou constrangimentos. Depois, então virão os homens que melhor apliquem na prática as ideias que a maioria da população reconheça como as melhores para o bem-estar e melhor qualidade de vida para todos.