Se ao menos eu pudesse parar o tempo, o calendário teria parado no dia 8 de Dezembro de 1993 e o relógio universal ficaria para sempre com os ponteiros nas 9h e 59 min.
Também não me importava que os ponteiros andassem para trás como o célebre relógio do British Bar.
Importante, importante mesmo, era que não tivéssemos chegado às 10h daquela fria manhã. É que precisamente a essa hora o coração do meu pai parou. Tinha apenas 56 anos. Imagino-o hoje com 71 anos. Como seria a relação dele com os netos? Meu Deus, tanto que ele tinha para lhes ensinar e tanto que eles podiam aprender com ele! E a relação dele com todos estes gadgets que vão aparecendo, cada um mais sofisticado que o outro? Se calhar passava o dia a pedir aos netos que o ajudassem a mexer no iPhone ou no PDA, enquanto soltava a confissão "não percebo nada disto".
O calendário não parou. O relógio avançou implacável para as 10h, sem se preocupar se morria um homem que bem podia viver mais uns anos. Pergunto-me agora qual será o teu devachan.
Mulheres bonitas? Conversas infindáveis com os amigos? Toda a espécie de jogos de cartas? Uma biblioteca? Onde estás para lá de estares sempre no meu pensamento?
Se ao menos eu pudesse parar o tempo...
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