segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O terceiro elemento

Durante 14 anos não souberam da sua existencia. Um dia de uma forma inesperada e sobretudo imprópria souberam finalmente que ele existia. Pediram para que o conhecimento pessoal se fizesse após passar o efeito do choque da notícia, o que foi entendido como algo de natural.
Eu, por seu lado, sempre soubera que eles existiram, pelo que passou a encarar o primeiro encontro como a concretização de um anseio há muito sentido, tudo foi devidamente combinado para o tal primeiro encontro e numa tarde de Janeiro de 2007 encontraram-se finalmente.
Foi quase fugaz esse encontro no qual o mais velho fez as despesas da conversa, o que também foi entendido como sendo natural.
Despediram-se, acordando que outros encontros se sucederiam, outras formas de contacto estabeleceriam para se conhecerem melhor e para tanto trocaram os números de telemóvel, além de se adicionarem reciprocamente nos seus msn. Sobre aquela tarde de Janeiro já se passaram 2 anos. Nunca houve um telefonema entre eles. Os escassos contactos ocorreram no msn e a iniciativa partiu sempre dele, sendo as mensagens meramente de cortesia. A mesma cortesia que esteve presente nos parabéns trocados por e-mail e nas prendas que ainda trocaram no primeiro ano, nas datas festivas, utilizando o pai como correio das mesmas. Nem o facto de dois serem colegas de turma desde o ano lectivo de 2007/2008 alterou as coisas aliás, ele ficou ciente do seu papel quando foi apresentado a alguns colegas apenas como se apresenta um amigo. Dito de outro modo, os colegas não sabem que eles são irmãos. Os professores também ignoram esse facto ou, pior do que isso, fingem desconhecê-lo. Até quando durará esta farsa? Por quanto tempo mais durará a repressão de sentimentos que até aqui não passam/passaram do pensamento?
No meio de tudo isto está um pai que bem queria que as coisas não estivessem como estão. Um pai que queria ter 3 filhos e não 2 + 1 como nos shampoos. Um pai que seria feliz se visse os 3 filhos conviverem como irmãos, não para lhe fazerem jeito, mas sim porque era isso que as suas consciências livres o tinham desejado.

1 comentário:

Anónimo disse...

As suas palavras são sempre bonitas.

Simplesmente bonitas!

Um simplesmente que não é simples!

É magnífico!

Um pouco que é mais que bastante.

Aprecio especialmente a sua forma de falar tão profundamente de um assunto com apenas umas linhas de texto!

Diz tudo, sem dizem muito!

Diz o que tem de ser dito, sem dizer demais!

Especialmente quando sei que fala de um assunto que lhe é tão pessoal e tão querido. Quiçá o mais querido?

Deixo-lhe como encorajamento as palavras de outras pessoas (pois eu não tenho o dom da palavra!):

“A primeira metade da nossa vida é estragada pelos pais e a segunda pelos filhos.” Clarence Darrow

“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.” Nelson Mandela

MIR