quinta-feira, 9 de julho de 2009

O louco da colina

Dentro de mim, no ponto mais alto de mim, está uma colina onde passo muitas horas a vaguear enquanto vou pensando e falando para mim mesmo. Gosto sobretudo de me sentar junto a um velho pinheiro manso que já está habituado a que eu me encoste ao seu tronco marcado pelos anos e ficar imóvel a olhar o céu, buscando com o olhar alcançar o infinito. Caminho sem me preocupar com mais nada a não ser pensar.
Os meus passos são os de um vagabundo assim como os meus pensamentos são vadios. Uns e outros dão-se muito bem com a solidão que reina na colina.
Penso, reflicto, medito e acabo sempre por guardar para mim os meus pensamentos, as minhas reflexões, as minhas meditações. Ainda hoje me considero um tímido não obstante os outros me considerarem extrovertido. Reconheço não preencho todos os requisitos de um tímido, já que gosto de falar em público e não tenho qualquer constrangimento em fazê-lo, porém prefiro muito mais percorrer a minha colina onde posso gritar todos os disparates que penso do que comunicar aos outros as minhas ideias. É possível que ouçam os gritos de um louco se por acaso ousarem aproximar-se um pouco mais da colina. Pelo menos escutarão o eco das suas palavras e não deixarão de dizer que há um louco na colina.

1 comentário:

m_C disse...

Bom texto, um dos melhores dos últimos tempos.

abraço