Diz o povo do alto da sua sabedoria que com o mal dos outros podemos nós bem e será essa atitude aparentemente egoísta que devemos adoptar nos tempos conturbados que vamos vivendo.
A crise é demasiado profunda para ser apenas uma crise do sistema económico. Por mais que queiram fugir à realidade aqueles que ocupam o Poder sabem muito bem que a crise feriu de morte o próprio regime político-constitucional vigente!
Não consigo perceber - e o defeito será meu - porque razão se tem falado tanto em injectar milhares e milhares de milhões de euros no sistema financeiro e ninguém fala ou sequer avança uma ténue preocupação no sentido de substituir todos os pilantras que rebentaram com tudo isto.
O cúmulo foi o episódio dos administradores da seguradora AIG, que depois da Reserva Federal salvar a companhia, foram gozar férias para a Califórnia e depois apresentaram a factura de 400.000 dólares à empresa que tinham atirado para a falência.
Nunca fui adepto da nossa Constituição de 1976, nem mesmo depois das várias revisões que foi tendo ao longo dos anos e, por isso, não tive/tenho de mudar de opinião para dizer agora aquilo que vou dizer.
Defendo que o regime devia ser presidencialista, cabendo ao PR apresentar ao eleitorado um programa de Governo que seria a base da escolha dos eleitores.
Em vez do Conselho de Estado que não serve para nada devíamos ter um Senado no qual todos os antigos PR teriam lugar vitalício e os restantes lugares ocupados por cidadãos com mais de 50 anos e que concorreriam por circulos uninominais. Devia também haver uma câmara baixa com cerca de 100 representantes eleitos igualmente por circulos uninominais.
O Governo seria aprovado pelo Senado, sendo como disse o PR o Chefe do Governo. O processo Legislativo da Câmara Baixa teria que ser sempre rectificado pela Câmara Alta/Senado. Cada representante de uma e de outra câmara responderiam perante os eleitores do respectivo circulo eleitoral como qualquer mandatário está obrigado a prestar contas ao seu mandante.
Em vez de uma constituição programática seria melhor que o país tivesse uma constituição emblemática que contivesse o acervo dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, ou seja, uma verdadeira Magna Carta.
Certamente que o PR escolheria os melhores para o Governo, sem estar sujeito aos jogos de bastidores e ao clientelismo nojento das Sedes Partidárias.
No fundo o PR seria uma espécie de Seleccionador Nacional que a cada momento atribuiria responsabilidades governativas a quem se destacasse pelo seu mérito numa determinada área/matéria. Seria o fim dos especialistas em Ideias Gerais, forma eufemistica de lhes chamar especialistas em coisa nenhuma!
A título de exemplo, embora com muitas e importantes diferenças face ao modelo que advogo, vejam-se os governos de iniciativa presidencial do General Ramalho Eanes, que ao nomear Alfredo Nobre da Costa e Maria de Lurdes Pintassilgo para Chefes do Governo acabou por fazer a demonstração da bondade do Regime Presidencialista puro e duro.
Presentemente são visiveis os sinais de fricção entre o PR e o PM, porque embora parecidos são diferentes e o mérito de Cavaco Silva como Economista daria agora um certo jeito...
Por muito menos do que isto o outro senhor foi-se embora exclamando que estavas no pantano. Será que um dia destes vou ouvir o meu vizinho da rua Braancamp exclamar "estamos na merda!"??
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