sábado, 1 de março de 2008

Os estilhaços do apito

O mediático processo do apito dourado foi desencadeado pelos serviços do Ministério Público da Comarca de Gondomar e por lá decorreu a investigação apesar de muito cedo se saber que uma parte significativa dos factos criminalmente censuraveis teria sido comitida noutros locais, sobretudo em Lisboa.
É por isso que me causa estranheza a atitude da hierarquia do Ministério Público de manter em Gondomar um inquérito tão complexo e tão exigente de meios, quando tudo aconselhava que o processo fosse distribuído ao Departamente Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), o qual foi criado em 1999, precisamente para dirigir investigações de certa magnitude com focos disseminados pelo território nacional.
Apenas quando o chamado processo principal se desmembrou em dezenas de outros inquéritos que vieram a ser remetidos para as Comarcas territorialmente competentes é que o Sr. Procurador Geral da República tomou a iniciativa de nomear uma equipa para trabalhar esses estilhaços em regime intensivo.
Esta é uma realidade que vos relato com objectividade, sendo que os factos são do domínio público e quem quiser poderá fazer uma pequena busca na internet com o intuito de desenvolver a informação em causa.
Todavia a minha estranheza não se fica por aqui, uma vez que este caso tem ocupado tanto espaço noticioso e a ignorância evidenciada pela maior parte daqueles que o comentam tem tendencia a aumentar...
O tema principal do caso, incluindo naturalmente os seus estilhaços é a corrupção na arbitragem. Estão em causa diversas vertentes como sejam a nomeação de árbitros, a actuação destes, a sua avaliaçao pelos observadores técnicos, as classificações finais do desempenho dos árbitros e tudo isto em várias épocas desportivas.
Curioso é que todos os árbitros abrangidos pela investigação continuaram e continuam a arbitrar como se nada se tivesse passado...
As decisões arbitrais "esquisitas" continuam a danificar a verdade desportiva, jornada após jornada...
É claro que cirurgicamente foram escolhidos na investigação uma série de jogos sem qualquer relevo competitivo ou então sem as tais decisões arbitrais esquisitas, para que o povinho acredite que tudo está a mexer e a mudar.
Eu, quanto a mim, acho que tudo isto não passa de mexer para tudo ficar na mesma. E mais não digo porque o meu cliente neste caso já foi elibado e o segredo profissional impede-me de continuar...

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