Foi com a tua morte que aprendi o verdadeiro significado de sempre e de nunca. Foi naquela manhã de 8 de Dezembro de 1993 que rapidamente adquiri a consciência de que nunca mais teríamos as nossas infindáveis conversas, que nunca mais trocaríamos livros, que nunca mais perderíamos noites juntos, que nunca mais te podia dizer "adoro-te pai". Foi naquela manhã de 8 de Dezembro de 1993 que rapidamente adquiri a consciência de que serias para sempre uma doce recordação, de que serias para sempre o meu melhor amigo, de que serias para sempre o homem mais espectacular que conheci em toda a minha vida.
Só a partir daquela fria manhã de Inverno é que adquiri o direito a ter nome próprio, deixando subitamente de ser o "filho do Rosário", pego nas fotografias e recuo no tempo ao preciso momento em que a vida ficou parada para sempre naquelas imagens impressas, umas ainda a preto e branco, outras já a cores. Lá estamos nós sorridentes na Praça dos Restauradores, eu com 6 anos e tu com 26, impecáveis nos nossos sobretudos.
Ainda ouço a tua voz a dizer-me "não era para parares, era para ficarmos a andar" e para sempre a fotografia guarda o que fomos: tu estás a caminhar e ao mesmo tempo estás um pouco inclinado para mim, parado e algo hirto, enquanto me chamas a atenção "não era para parares, era para ficarmos a andar", estamos de mãos dadas e o Pai Natal também ficou para sempre na nossa fotografia, sorrindo, talvez porque tivesse ouvido a tua frase. Estariamos na Quadra Natalícia, porque o Pai Natal ficava junto à grande loja de brinquedos nessa altura do ano.
Quem sabe se seria 8 de Dezembro. Naquele dia em que a fotografia nos fixou para sempre, tu caminhavas e eu estava parado.
Naquela manhã de 8 de Dezembro de 1993 tu ficaste parado e eu passei a caminhar sozinho.
Até sempre pai!
2 comentários:
nossa que texto mais lindo, até chorei!
que excelente texto, magnífico, por muitas palavras que pudessem ser utilizadas, nenhuma seria a suficiente para descrever o sentimento inserido neste texto.
os meus parabéns!
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